quarta-feira, 23 de novembro de 2011

José Serra põe fogo no ninho tucano

Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho
Imagem internet (Resp Blog)
Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho
Alijado de qualquer cargo importante na direção partidária depois da sua segunda derrota na eleição presidencial, o ex-governador paulista José Serra entrou em rota de colisão com suas principais lideranças, em todos os níveis, e resolveu atear fogo no ninho tucano que discute a sucessão municipal.
Serra não quer ser o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo porque ainda sonha em se candidatar de novo à Presidência da República em 2014. Por isso mesmo, ele acha que o PSDB não tem nenhum nome viável para disputar as eleições, embora o partido tenha lançado ontem quatro pré-candidatos.
Já que sem ele os tucanos não têm candidato em condições de enfrentar Fernando Haddad, do PT, apoiado por Lula e Dilma, Serra defende que o partido faça uma aliança com o PSD do prefeito Gilberto Kassab e apóie o nome do vice-governador Guilherme Afif.
Foi o que bastou para que Pedro Tobias, presidente do diretório estadual do PSDB, perdesse a paciência com Serra. No último final de semana, quando apresentou sua tese a Tobias, Serra ouviu em resposta que se tratava de "uma completa bobagem".
Para não perder a viagem, o ex-governador arrumou também uma confusão com Paulo Mathias, presidente da Juventude do PSDB paulista. O motivo é hilário, bem ao estilo de Serra, que ficou contrariado porque uma publicação dos jovens tucanos, que circulou com apenas 94 exemplares, não citou o seu nome.  A Juventude Tucana foi chamada pelo ex-candidato a presidente de "um bando de pelegos".
O comando do PSDB paulista resolveu ignorar Serra e decidiu nesta terça-feira que irá disputar as eleições com candidato próprio, marcando as prévias para janeiro, o que contraria também o governador Geraldo Alckmin, que prefere deixar a decisão para março. Neste ponto, Alckmin e Serra estão de acordo: o único jeito de enfrentar a candidatura do PT é buscar um nome de consenso capaz de unir PSDB e PSD _ e o único com este perfil é o de Guilherme Afif. Para isso, precisam se acertar com Kassab.
O imbroglio no ninho tucano ainda é uma sequela das eleições municipais de 2008, quando Serra apoiou a reeleição de Gilberto Kassab, então ainda no DEM, contra o candidato oficial tucano Alckmin, que ficou fora do segundo turno.
Como o eleitorado paulistano é historicamente dividido entre petistas e anti-petistas, os tucanos mais comedidos sabem que com os quatro pré-candidatos que apareceram até agora (José Anibal, Bruno Covas, Andrea Matarazzo e Ricardo Trípoli) o partido corre novamente o risco de ficar de fora da disputa final.
Ainda não se sabe o que Fernando Henrique Cardoso, sempre muito atento aos problemas do governo e do PT, está achando do papel de José Serra nesta história. O certo é que o PSDB nunca entrou numa disputa eleitoral tão rachado como agora.


Nenhum comentário: