sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Revista britânica critica "atraso" brasileiro em solucionar crimes cometidos na ditadura militar

por Everton Araújo
Equipe

Imagem Internet
A revista britânica The Economist publicou na edição desta semana uma análise sobre o "atraso" brasileiro no julgamento de questões de direitos humanos infringidos durante a ditadura militar, informa a BBC Brasil.

Em meio a polêmica da  criação da Comissão Nacional da Verdade, que investigará violações dos direitos humanos ocorridas de 1946 a 1985, a revista afirma que o Brasil está atrasado em relação a países vizinhos, como Argentina e Chile, que também vivenciaram regimes autoritários.

Na Argentina, "militares começaram a ser julgados logo após o colapso do regime, em 1983", de acordo com a reportagem. "A Suprema Corte do Chile decidiu em 2004 que os 'desaparecimentos' não eram passíveis de anistia", explica o texto.

Os analistas ouvidos pela Economist apontaram algumas razões para o referido "atraso". Uma delas foi a lenta transição para um regime democrático. Outra refere-se a uma "amnésia coletiva" da qual a população "sofre". Por fim, a matéria argumenta que a repressão ainda se faz presente na sociedade. "A repressão continua, só que agora a violência se concentra mais na polícia, e não no Exército".

A presidente Dilma Rousseff sancionou nesta sexta-feira (18) a lei para instauração da Comissão Nacional da Verdade.
A Comissão da Verdade será formada por sete pessoas e vai apurar violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, período que inclui a ditadura militar. Os trabalhos terão a ajuda de outros 14 servidores, que darão suporte administrativo.

O trabalho da comissão não vai partir do zero. Serão aproveitadas as informações produzidas há quase 16 anos pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e há dez anos pela Comissão de Anistia.

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