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terça-feira, 6 de março de 2012

FHC ironiza postura política de Kassab e do PSD


Ilustração do blog
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB)  ironizou a postura política do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), em palestra na FAAP (Fundação Álvares Penteado) sobre a crise econômica na Europa, nesta terça-feira (6). FHC disse que no atual momento europeu governos “caem a toda hora”. “Você pode ser de esquerda, de direita ou do infinito. Ou como o [Gilberto] Kassab aqui [em São Paulo], que não é de centro, nem de esquerda, nem de direita. Ele cairia também”, afirmou. A declaração causou risos na plateia, formada por alunos da FAAP.

Pouco antes da formação do partido, em março de 2011, Kassab afirmou que a legenda não "seria de esquerda, direita ou centro". O chefe do Executivo paulistano chegou a flertar com o PT para apoiar o pré-candidato petista na disputa à prefeitura da capital paulista. Desistiu depois que José Serra anunciou que iria concorrer nas prévias tucanas para a escolha do candidato do PSDB em outubro, quando ocorrem as eleições municipais.
A assessoria de imprensa de Kassab foi procurada para comentar a declaração de FHC, mas até o momento não respondeu à reportagem do UOL.

Renovação tucana

O ex-presidente disse ainda que a entrada de Serra na disputa interna que vai definir o candidato do partido à sucessão de Kassab não barra a possibilidade de renovação da sigla - objetivo inicial dos tucanos ao anunciar, no ano passado, que prévias seriam realizadas para escolher seu representante na eleição paulistana.

FHC classificou de “especulação” reportagem publicada pela revista “The Economist”, na última semana, que afirmou que o PSDB “tem dificuldades de renovação de seus quadros”.

"O PSDB está bem, está crescendo, tem a possibilidade de ganhar [as eleições] em vários lugares e o resto é especulação", disse FHC. Segundo a revista, a pré-candidatura "tardia" de Serra mostrou "o fracasso do PSDB" em formar uma nova geração de candidatos.

Para analistas políticos ouvidos pelo UOL, a entrada do ex-governador na disputa interna impede a renovação política no berço do principal partido de oposição brasileira. Após o anúncio de Serra, dois dos quatro pré-candidatos desistiram das prévias.

Alianças

FHC afirmou ainda que considera "natural" o apoio do PSB ao possível candidato tucano à Prefeitura de São Paulo. "É bom", afirmou enquanto tentava evitar perguntas sobre a sucessão paulistana.

do Uol

 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Com 55 deputados, PSD ultrapassa PSDB na Câmara

Agência Estado

O PSD, do prefeito Gilberto Kassab, fechou as últimas adesões à sua bancada de deputados federais. Ao todo, o partido contará com 55 deputados federais, além de um suplente. 

A legenda tornou-se a terceira maior força da Câmara dos Deputados, ultrapassando o PSDB e ficando atrás apenas do PMDB e do PT. 


As últimas adesões, consumadas na sexta-feira passada, foram dos deputados Jorge Boeira (SC), que deixa o PT, e Ricardo Izar (SP), que sai do PV. Até o dia 27, prazo final para o PSD receber novos parlamentares, o partido pode levar mais um deputado, que mantém conversas com a cúpula partidária.

do Blog Esmael Morais 

Como era de se esperar, o DEM é a sigla que mais encolheu com o surgimento do PSD. Perdeu 19 deputados. Portanto, a bancada democrata foi reduzida de 45 a 26 cadeiras.
PPS, PDT, PP e PR perderam quatro deputados cada um, enquanto PSDB, PMDB, PMN e PV perderam três cada um. Já PSC e PTB aparecem em seguida com menos dois cada um.
Perderam apenas um deputado: PCdoB, PT, PHS e PSL.
E o PSB do governador pernambucano, Eduardo Campos? Nenhum
Atualizado em 26/10 às 08:00

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Lula deu aval à mudança de Meirelles para o PSD

Por Everton Araújo

O ex-presidente Luiz Inácio lula da Silva foi consultado e deu aval para a troca de partido de Henrique Meirelles, que deixou o PMDB para integrar o PSD, nova sigla fundada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Os dois tiveram um encontro reservado para tratar do assunto há cerca de três semanas na sede do Instituto Lula, em São Paulo. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.


Meirelles, que foi presidente do Banco Central durante o governo Lula, se filiou ao partido na sexta-feira passada, último prazo para os interessados em disputar as eleições municipal de 2012 trocarem de legenda.

Ele relatou a Lula sua insatisfação com o PMDB, ao qual se filiou em 2009 com o objetivo de ser candidato à vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff (PT). Ele também afirmou que desejava voltar à cena política a partir de São Paulo, onde mantém um escritório desde o início do ano. A prefeitura da capital é o principal alvo de Lula nas articulações para 2012.

Ele tem repetido que uma vitória é essencial em seu plano para quebrar a hegemonia do PSDB no Estado.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

‘O DEM estará proibido de fazer alianças com o PSD’


À ponto de desaparecer da política nacional e com a baixa que teve o partido, o Senador José Agripino (RN) tenta fortalecer e juntar os gatos pingados que restaram no DEM.

por Anna Ruth Dantas

A crise política no Governo Rosalba Ciarlini (DEM) tende a se agravar. O presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia,  anuncia que o partido não fará nenhuma aliança no pleito de 2012 com o PSD, legenda presidida no Estado pelo vice-governador Robinson Faria.  O senador afirma que essa é uma resolução nacional dos Democratas e será seguida por completo no Estado potiguar. Embora afirme que não há problema na relação pessoal com o vice-governador Robinson Faria, José Agripino demonstra que a aliança entre o DEM e o hoje líder do PSD já é fato passado. Ao comentar o esfacelamento da bancada do PSD na Assembleia Legislativa, onde estavam sendo anunciadas a adesão de seis deputados e terminou apenas com dois (Gesane Marinho e José Dias), José Agripino confirma que partiu do Governo a reação para não ser “refém” do partido de Robinson Faria, já que esse teria 25% da Assembleia Legislativa. Para o líder do DEM, o que o vice-governador tentou fazer foi tutelar o Governo. “O Governo tem obrigação e legítima defesa de garantir sua governabilidade. O Governo tinha obrigação de trabalhar para não ser refém de ninguém. O Governo tem obrigação de ter aliados, de não ser subordinado a ninguém”, destaca o senador José Agripino Maia. Enquanto demonstra afastamento político que soa como rompimento com Robinson Faria, o senador do DEM confirma a aliança com o PMDB, enaltece a tendência do PR ser aliado do Governo Rosalba e é enfático ao afirmar que a chegada das duas legendas na base “oxigena” as alianças. Na proximidade com os peemedebistas, o senador José Agripino vai além e já fala na possibilidade de apoiar o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB) para o Senado em 2014. Analisando o pleito de 2012 na capital potiguar o senador praticamente descarta apoio à reeleição da prefeita de Natal Micarla de Sousa e demonstra “simpatia” com o projeto político do deputado federal Rogério Marinho, que disputará o Executivo pelo PSDB.  Sobre política partidária, ações administrativas e os polêmicos projetos que tramitam no Congresso Nacional, o senador José Agripino Maia concedeu a seguinte entrevista à TRIBUNA DO NORTE.

Clique aqui e leia na íntegra a entrevista do senador

sábado, 8 de outubro de 2011

PSD é a 3ª maior bancada na Câmara de Deputados

por Franco Ahmad

 
Foto: Fabrício Escandiuzz

O Portal terra revela que antes mesmo do prazo final para filiação de políticos que pretendem concorrer a cargos eletivos no ano que vem, o Partido Social Democrático (PSD) tem recebido um grande número filiações e já conta com a terceira maior bancada no Congresso Nacional.
 
Segundo o Portal, são 52 deputados, a maioria vinda do DEM, além de dois senadores, segundo afirma o líder da legenda na Câmara, o deputado federal paulista Guilherme Campos. Com isso, o partido passa o PSDB, que passaria a ter 51 deputados, e fica atrás apenas do PT, com 88 deputados, e do PMDB, com 78. No entanto, especula-se a saída de cinco peemedebistas da legenda para se filiar ao partido criado pelo prefeito de São Paulo Gilberto Kassab.


Nos Estados, o partido conta com dois governadores, seis vice-governadores e centenas de deputados federais, segundo afirma a própria legenda. Campos diz que existe ainda muita movimentação na Câmara entre os parlamentares. Na legislatura atual, que tomou posse no começo do ano, foram eleitos 88 deputados do PT, 78 do PMDB, 52 do PSDB, 44 do PP e 43 do DEM. "Tem movimentação em todos eles. Vamos ter que esperar o resultado final para ver que tamanho e a composição que a bancada vai adotar na Câmara", afirma. 

Analistas ouvidos pelo Portal Terra especulam que o partido pode se tornar grande a ponto de disputar a presidência da República e rachar o curral eleitoral petista em regiões como o Nordeste.

PSD = Partido Só da Dilma

O líder da legenda diz o partido vai desempenhar um papel independente na Câmara dos Deputados. No entanto, nem todos acreditam na independência. "O PSD é o Partido Só da Dilma", brinca o professor de ciência política licenciado da Universidade Federal de Brasília e consultor de empresas Paulo Kramer.


Para ele o surgimento do PSD como uma das maiores bancadas, antes de qualquer eleição, mostra problemas na legislação eleitoral brasileira. "É uma coisa espantosa, que reflete o irrealismo da nossa legislação eleitoral e partidária, o fato de um partido que não tem um voto ter mais de 50 deputados e dois senadores". 

Já o mestre em ciências sociais e pesquisador associado do Núcleo de Pesquisas em Políticas Públicas da USP (NUPP) Edison Nunes diz que Kassab realizou uma manobra muito astuta, do ponto de vista estratégico, ao criar o PSD, já que seu antigo partido, o DEM, não tinha muita expressão em São Paulo e ele não tinha espaço ou cacife político para surgir como liderança nacional entre os caciques. O sentimento de alienação, segundo Nunes, parece ter sido o mesmo entre os novos filiados. "Quando se arrasta 10% dos deputados, deve haver um sentimento de relativa alienação desses deputados quanto ao sistema decisório no parlamento." 

Nunes faz uma análise mais ampla e diz que o surgimento do PSD é um reflexo do fenômeno de despolitização pela qual passam os partidos brasileiros, a não ser em casos de disputa eleitoral. "É um sistema de competição, que tem como realidade prática, fundamentalmente, a moeda administrativa", diz ele se referindo as medidas aprovadas no Legislativo, que se resumem as orientações gerais de saúde e educação, por exemplo, deixando de lado as discussões verdadeiramente políticas. "O que resulta disso é que você tem uma sobrevalorização da atividade de metas administrativas, e não políticas", completa.

Kramer diz que apesar do PSD acomodar muitas lideranças oposicionistas que estavam insatisfeitas em seus antigos partidos, a legenda será uma terceira via, mais amena, na base política da presidente Dilma, uma vez que ela sofre muitas pressões de seu próprio partido, o PT, e do PMDB, principal aliado. "O PSD acomoda, ou promete acomodar, outras situações, inclusive a do José Serra, caso ele não venha a ser preterido pela máquina do seu partido para concorrer a governador ou presidente da República. É um partido que, apesar de não ter nenhum voto, ainda tem muito futuro, tendo em vista os interesses que ele promete acomodar, tanto da parte do governo, quando da parte da oposição."


Segundo Kramer, o PSD não seria um partido despolitizado, mas sim uma "moldura vazia na qual os políticos colocam o quadro que querem", um PMDB escancarado, "refletindo ai o destino do PMDB que é essa federação frouxa de interesses de oligarquias regionais", critica.

Já Edison Nunes prefere deixar o julgamento moral de lado e atribui o surgimento de novos partidos, como o PSD, a uma saída legítima e racional para os políticos sem espaço, já que o "sistema estimula isso". "O político que não faz parte da base aliada fica com a margem de manobra restrita. Daí a necessidade, de tempos em tempos, de fazer um rearranjo de quem vai sistematicamente sendo excluído desse núcleo. Uma das formas é criar uma nova sigla."
 

O PSD e a presidência

"O partido do Kassab pode gerar, a curto prazo, ambições muito maiores. Suponha que ele se relacione com algum governador do Nordeste que hoje é aliado de alguma sigla federal. É capaz que ele faça um nome para disputar a presidência da República. Isso seria um problema grande para o PT, porque racha o curral eleitoral. Seria uma jogada, do ponto de vista estratégico, muito brilhante", especula Nunes.

Ele diz que o partido se assemelha um pouco ao PMDB, mas não deve ofuscar o principal aliado do governo federal pelo histórico de pactos e alianças. "Dificilmente podemos pensar que ele vai substituir o PMDB, mas ele pode sim trazer uma proposta de disputa do Executivo federal que, de repente, pode ser exitosa.

A realidade, que sempre é mais criativa do que nós analistas, mostra que a solidez desmancha", metaforiza. Segundo ele, Kassab percebeu que existe uma terceira ou quarta via de disputa ao governo federal após a expressiva votação de Marina Silva (ex-PV).


Com informações do Portal Terra

sábado, 1 de outubro de 2011

O imã de Kassab

Com o PSD, Kassab reforça um espaço legítimo na política nacional, que é o centro

Por Leonardo Attuch no Brasil 247

Nada é tão vilipendiado na política quanto o centro. Os centristas, embora representem a maioria, são atacados tanto à esquerda como à direita pela suposta falta de consistência ideológica, pelo adesismo e pela postura fisiológica. Mas o que combina mais com uma sociedade plural e conservadoramente progressista como a brasileira? Os radicais de direita? Os radicais à esquerda? Ou será o centro?

A resposta é óbvia e, por isso mesmo, o PSD, criado pelo prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo, vem tendo tanto sucesso. O partido contribui para desanuviar o clima político e oferece, sim, uma possibilidade de arejamento, um ano depois de uma campanha presidencial marcada pelo radicalismo. Kassab hoje tem um ímã poderoso nas mãos. E seu magnetismo atrai tanto os descontentes da oposição como aqueles que, embora na base governista, enxergam no PSD um espaço mais fértil para seus projetos de poder.

A primeira vítima do PSD é o DEM, ex-PFL, que começou a morrer no dia em que o senador Agripino Maia acusou a presidente Dilma de mentir durante a ditadura – detalhe: ela estava em poder de torturadores. Depois daquele dia, políticos como Paulo Bornhausen, de Santa Catarina, passaram a incentivar Kassab a criar um partido menos radical e, ao mesmo tempo, independente. Ou seja: com o direito de aderir ao que considerar correto e discordar do que julgar inconveniente.

A segunda vítima pode ser o próprio PSDB, se não tiver a capacidade de reconhecer que o Brasil vive um bom momento – e que esse sucesso não foi fruto apenas do Plano Real, que logo atingirá a maioridade com seus 18 anos. No Brasil de hoje, que cresce e tem um governo aprovado pela ampla maioria da população, a oposição pela oposição é um erro de cálculo e um erro político. Apesar disso, engana-se quem acredita que Kassab fará de tudo para embarcar na base do governo Dilma, valendo-se dos escândalos que atingem praticamente todos os partidos da base aliada para ocupar um ou mais ministérios. O que torna o PSD valioso é justamente a sua independência.


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O PSD recusa convite para participar de reunião de lideres da base

por Agência Brasil

O recém criado PSD respondeu com um não, com o argumento da independência em relação ao governo, ao convite feito para participar da reunião dos líderes da base governista na Câmara, prevista para a próxima semana, disse à Agência Brasil o futuro líder da sigla, deputado Guilherme Campos (SP).

Segundo Campos, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), lhe fez o convite para participar da reunião já na próxima terça-feira (4). “Agradeci a consideração do líder, o respeito e o carinho de fazer o convite, mas se nós estivermos presentes ao encontro, uma semana após o registro do partido, tudo aquilo que defendemos de independência ficaria sem sentido”, declarou.

O PSD teve seu registro aprovado na última terça-feira (27) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tornando-se o vigésimo oitavo partido no Brasil com registro definitivo. A legenda, segundo seu líder na Câmara, deverá iniciar sua atuação com uma bancada de cerca de 50 deputados, ocupando a terceira posição na Casa. No Senado, o partido tem dois senadores.

Campos, que foi eleito pelo DEM, disse ainda que o quadro inicial do partido deverá ser formado por 19 deputados eleitos pelo Democratas, oito do PP, quatro do PR, quatro do PMN, três do PPS, três do PMDB, dois do PTB, dois do PSC e um do PSDB, um do PV e um do PCdoB.

O líder do PP, deputado Agnaldo Ribeiro (PB), no entanto, não confirma a saída de oito deputados para o novo partido. Ele declarou que está trabalhando para a manutenção de todos os deputados nos quadros do PP, mas admite que o partido poderá perder de dois a três deputados para o PSD.

Os deputados que estão migrando para o PSD e que quiserem disputar as eleições municipais do ano que vem têm até os primeiros dias de outubro para pedirem a desfiliação das legendas pelas quais se elegeram e ingressarem na nova agremiação partidária.

Hoje, o líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza, disse que vai convidar o PSD formalmente para fazer parte da base de apoio ao governo. Ele informou que já começou as conversas sobre o assunto com o deputado Guilherme Campos. “Minha expectativa é que eles façam parte da base de apoio ao governo, porque a maioria dos deputados votou conosco nas questões propostas pelo governo até o momento”.

O DEM e a cronologia da conveniência

por  da Carta Potiguar


A parasitologia explica perfeitamente a atual e constrangedora situação política e eleitoral do Democratas: o parasita, uma vez fora do seu hospedeiro, tende a agonizar até a morte devido à falta da fonte de que o mantinha vivo às custas de outro organismo. É o que vem acontecendo com o partido desde de que, há 8 anos, deixou de ser situação.
Se observarmos o histórico de tal sigla veremos que sua qualidade mais notória é, tão somente, a sanha metamórfica pela qual passou no decorrer dos anos; da golpista União Democrática Nacional (UDN) de Carlos Lacerda e Magalhães Pinto vieram os mais ilustres próceres do que se tornaria a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), principal sustentáculo político do regime militar. Regidos pela conveniência política de se desvincular de uma ditadura moribunda diante dos ventos da redemocratização iniciada por Geisel e tocada à frente por Figueiredo, sentiram que aquela era a oportunidade ideal de se afastar de um regime que, em que pese ter lhes gerado múltiplos dividendos políticos, acabaria por se tornar um engodo com as pressões populares pelo retorno da democracia e das eleições diretas. Eis que, de uma dissidência dos arenistas, surge o PDS – Partido Democrático Social -, composto por membros que se fartaram com o situacionista ônus político ditatorial e que, oportunistas, viram do convés desse barco em naufrágio o assustador tsunami da democracia se aproximar. Nele, então, pularam com suas pranchas antes mesmo que lhe atingisse o casco. Mas e a ditadura a que serviram tão caninamente? Procuraram ofuscar de forma singela no discreto “D” do PDS. Não era – mais – interessante do ponto de vista político e eleitoral ser relacionado a um regime que caminhava para o saco.
Algumas lideranças do PDS, empolgados, talvez, pela então ordem econômica ocidental implantada por Thatcher na Inglaterra e Reagan nos EUA e que com força ganhava cada vez mais adeptos ao redor do planeta, fundaram o Partido da Frente Liberal (PFL). Apoiar o civil Tancredo Neves, símbolo maior da redemocratização, contra o candidato dos militares (Paulo Maluf) era a única e inquestionável escolha se quisessem se afastar cada vez mais do seu passado antidemocrático e continuar gozando dos frutos propiciados pela confortável condição de governista como tão bem fizeram com os militares.
Da reabertura política aos dias atuais, a UDN/ARENA/PFL/DEM só não foi aliada de Lula e de Dilma: Sarney, Collor – cujo barco também fora abandonado às vésperas do Impeachment – Itamar e FHC, todos contaram com a vassalagem política incondicional de seus partidários. De 1964 a 2002, até a vitória de Lula, permaneceram entranhados nas vísceras da máquina política governista. Coadjuvantes por natureza, acostumaram-se a almoçar ao lado de quem estava no poder, estando agora – e talvez pela primeira vez na história política do país – longe da mesa governista. É o que afirma o insuspeito Cláudio Lembo, professor da tradicional Mackenzie, ex-governador de São Paulo e até recentemente integrante do DEM. Em entrevista concedida ainda em 2006, soltou o então pefelista que seu partido estava nas barbas do poder desde a chegada de Cabral. Obviamente, tal conclusão denota das históricas origens aristocráticas que a legenda possui.
O baque de estar na estranha, hostil e inédita condição de oposicionista foi notado já na expressiva diminuição de sua bancada no Congresso após as eleições de 2006. O que fazer então? “Mudar mais uma vez de nome”, bradaram as raposas pefelistas. Mas como? E para qual nome? Com o “D” do PDS buscaram expurgar os umbilicais laços com o regime. A preocupação agora, como esperado, era também expurgar as estridentes e neoliberais nódoas do passado consubstanciadas exatamente no “L” do PFL.  Expurgue-se, então, o “liberal” de sua sigla. Assim, o ex-arenista PFL transmuta-se ironicamente em Democratas (DEM). Seu passado, todavia, continuou o mesmo.
A atual agonia do DEM é paulatina, evidente e progressiva: na década de 90, o governista PFL chegou a ter uma bancada superior a 100 deputados e mais de 20 senadores, as maiores do parlamento. Hoje, possui 43 deputados e apenas 6 representantes no Senado Federal.
Esse número, é bom frisar, está desatualizado. Sua tendência é de franca diminuição em virtude do surgimento de mais uma dissidência do partido que, por sua vez, também criou uma sigla dissidente que, de seu turno, também teve como motriz a conveniência política de estar ao lado do governo. Trata-se agora do PSD, Partido Social Democrata (quero acreditar que a sarcástica semelhança como o antigo PDS seja involuntária). A quantidade de emigrantes do DEM inclui, além de seu idealizador Kassab, graúdos como a senadora Kátia Abreu e o próprio Cláudio Lembo. A sangria levantou, inclusive, a possibilidade de fusão com o PSDB, que também teve significativas baixas como a de Walter Feldman, um dos fundadores da agremiação e integrante do alto tucanato paulista.
Há uma máxima que afirma que para prever o futuro, basta olhar para o passado. Diante disso, resta apenas uma pergunta: irá o PSD se manter por muito tempo?

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Criação do PSD enfraquece oposição


A criação do PSD vai alterar a atuação da oposição na Câmara e deixar as votações no plenário mais confortáveis para a presidente Dilma Rousseff. O DEM, partido que faz oposição mais firme nas votações, perderá prerrogativas com a migração de deputados para o novo partido.

Caso se confirme a previsão de a bancada perder de 15 a 17 deputados para o PSD, o partido não poderá sequer exigir sozinho votações nominais e terá reduzida a cota para pedir análise separada de pontos dos projetos, instrumentos regimentais largamente usados pelo partido para obstruir as sessões.

O líder do DEM perderá também tempo para discursar nas sessões e, administrativamente, ainda ficará com menos cargos para contratar assessores. As mudanças podem parecer “detalhes” fora do ambiente parlamentar, mas são essas questões regimentais que definem o ritmo do dia a dia do funcionamento da Câmara e das votações e demonstram o poder de cada legenda na Casa. Os espaços políticos da atividade legislativa são divididos entre os partidos proporcionalmente ao tamanho das bancadas.

O PSD pode nascer já na terceira posição, com 50 deputados, atrás do PT, do PMDB e do PSDB. Caso o DEM caia dos atuais 43 deputados para 28 deputados, na avaliação mais positiva para a legenda, o líder do partido perderá dois minutos dos 5 minutos que tem para discursar na sessão e terá de recorrer a deputados de outros partidos para pedir verificação de uma votação e exigir que os deputados registrem os votos no painel eletrônico.

Urnas definem bancadas

“O que se está fazendo desde o começo é dar um golpe na oposição”, avalia o líder do DEM, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA). Encaminhou uma nota técnica ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), sustentando a regra de que as urnas é que definem o tamanho das bancadas e os espaços políticos e os físicos na Casa. O DEM não está sozinho nessa disputa e um movimento suprapartidário na Câmara busca limitar a atuação dos deputados do novo partido.

“O partido ficará como zumbi pelos quatro anos. Para ter funcionamento parlamentar terão de esperar as próximas eleições”, afirmou o líder do PTB, Jovair Arantes (GO). As bancadas não aceitam perder posições e presidências nas comissões, por exemplo, para o novo partido. “Vão ter de esperar as urnas de 2014 para pleitear assento e tempo de TV”, afirmou o líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP).

Os líderes avisaram o presidente da Câmara ue não aceitam ceder seus próprios espaços para o novo partido. O deputado Guilherme Campos (SP), escolhido líder do PSD, quer a legenda representada de acordo com o tamanho da bancada. Argumentou que o regimento não se refere a partido fundado durante o mandato. “A presença do PSD vai dar uma desbalanceada. Queremos que todos os critérios de proporcionalidade sejam respeitados”, disse Campos.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Descanse em paz, DEM


Imagem blog do Saraiva


Encolhendo a cada eleição, o partido que deveria sustentar a bandeira do conservadorismo no Brasil leva seu golpe de misericórdia com a criação do PSD de Gilberto Kassab, que lhe tomou, entre outras coisas, 17 deputados e o posto de sexta maior bancada da Câmara Federal


Evam Sena e Rodolfo Borges_247 - O Democratas tentou. Em 28 de março de 2007, o antigo PFL foi refundado com novo nome, Democratas, e prometia recuperar o protagonismo da década de 1990, quando o ex-senador Marco Maciel ocupou a vice-Presidência da República do governo Fernando Henrique Cardoso, mas a relutância em sustentar as bandeiras do liberalismo e do conservadorismo em um país governado há nove anos por partidos historicamente de esquerda enfraqueceu a legenda, que recebe sua pá de cal com a fundação do PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
O ocaso do DEM começou com o fim do governo Fernando Henrique, mas pode ser localizado simbolicamente no dia 7 de maio de 2008, quando o senador Agripino Maia (hoje presidente nacional do partido) botou em questão a índole da então ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff logo na abertura de reunião da Comissão de Infraestrutura do Senado, baseado no relato de que Dilma mentiu sob tortura durante a ditadura (assista ao vídeo). “Me orgulho muito de ter mentido, senador. Porque mentir na tortura não é fácil”, respondeu a hoje presidente Dilma, sob aplausos – para o constrangimento de Agripino e de toda a oposição –, fortalecendo, naquele momento, a candidatura que venceria as eleições presidenciais de 2010.
Foto: Wilson Dias/ABr
A partir dali, Kassab começa a se articular, sob os olhos atentos do ex-senador e ex-presidente de honra do DEM Jorge Bornhausen (SC), que deixou o partido em maio último, anunciando o fim de sua vida política, pouco depois do anúncio da desfiliação de seu filho, o deputado licenciado Paulo Bornhausen, que aderiu ao PSD. É no estado de Bornhausen, Santa Catarina, que o PSD ganhou seu primeiro governador – Raimundo Colombo também trocou o DEM pelo PSD, dizendo que o Democratas “ficou sem futuro”.
É fácil traduzir a impressão de Colombo em números. Nas últimas eleições, o DEM elegeu apenas dois governadores – como um deles já pulou fora, resta apenas Rosalba Ciarllini, no Rio Grande do Norte. O último pleito também reduziu as bancadas da Câmara (de 65 para 43 deputados) e do Senado (de 13 para 6 senadores). A migração de 17 deputados e uma senadora para o PSD diminui ainda mais um partido que já perdera espaço nas últimas eleições municipais – em 2008, o DEM elegeu 500 prefeitos, ante 792 eleitos em 2004, quando ainda era PFL.
As sucessivas derrotas parecem ter abalado as convicções do partido e levaram o senador Agripino a declarar em entrevista que o DEM não era de direita, mas adepto do “liberalismo moderno”. Por mais que o termo “direita” tenha se desgastado desde a redemocratização, a declaração não pegou bem e colaborou para o enfraquecimento do partido e, consequentemente, do debate político no país, cujo contraponto perdeu a força.
O último golpe no DEM chegou com requintes de crueldade, diante das declarações de Agripino que, confiante no fracasso do PSD, dizia nesta terça-feira que a Executiva Nacional democrata iria analisar caso a caso a volta de seus parlamentares. Confrontados com a derrota, dirigentes do DEM já discutem a possibilidade de abortar o planejado questionamento no Supremo Tribunal Federal (STF) da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que acatou a criação do partido. A ideia seria evitar ainda mais constrangimentos.