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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Aecinho Von Clausewitz!


O Aparte desta segunda, 26/12, ao artigo semanal do senador Aécio Neves (cujo título é “Otimismo” – FSP) é escrito com profunda perplexidade.

Entrando no clima de Natal, Aécio prega a distensão política. É hora, segundo ele, de “desarmar o espírito da intolerância”. Reafirma sua autoavaliação: desde que ingressou na política, ele tomou a decisão de não cair na tentação fácil de “tratar adversário como inimigo, de confundir país com governo”.

Estamos diante de “Aécim Paz e Amor” ou “Von Clausewitz”?

A prática histórica de Aécio Neves, como ex-governador de Minas, como pré-candidato à presidência da República e agora como senador, desautoriza seu texto “paz e amor”.

A máquina de promoção pessoal do político carioca, radicado eleitoralmente em Minas Gerais, se notabiliza pelo controle da imprensa e dos demais poderes constituídos no estado. E este controle da imprensa pressupõe, por exemplo, exigir a cabeça de repórteres que não fazem o jogo de seu projeto pessoal de poder.

Para quem não se lembra do caso de Jorge Kajuru, demitido “no ar”, pela BAND, por criticar o ex-governador mineiro e seus “10 mil ingressos” para celebridades, em desfavor das pessoas deficientes (no jogo Brasil X Argentina, de 02 de junho de 2004, no Mineirão), oferecemos o link ao final.
Como senador, sua conduta nada muda. Elegeu seu sucessor e impõe a ele a penosa tarefa de praticar o estado de exceção.

Basta ver o tratamento que a oposição em Minas recebe de seu preposto e dele próprio. Os episódios mais recentes envolvem a tentativa de cassação dos mandatos dos deputados Sávio Souza Cruz (PMDB) e Rogério Correia (PT).

Além de ter o hábito de se negar a cumprimentar adversários, fingindo não vê-los, Aécio agora orienta a sua base parlamentar a protocolar pedidos de cassação, baseados em denúncias vazias, veiculados em mídias partidarizadas e sem credibilidade.

Ao contrário de suas melosas palavras no artigo semanal que aparteamos, o senador pratica o rancor, a perseguição e o preconceito com quem dele diverge. Adalclever Lopes, moderado deputado do PMDB mineiro reclama: “tento construir pontes de diálogo e os tucanos destroem tudo”. Pompílio Canavez (PT) registra que “nunca viu tanta intolerância concentrada num mesmo ninho”.

O “crime” cometido pelos deputados perseguidos pelos tucanos, a mando de Aécio Neves, foi o de fiscalizar seu governo e o de seu sucessor.

Eis porque o texto assinado por ele, nada condiz com sua postura. Para o tucano: adversário = inimigo. Serra experimentou sua fúria dissimulada. PT e PMDB em Minas a experimentam de forma aberta.

Assim, o melhor sobrenome para o senador carioca, radicado eleitoralmente em Minas Gerais, será “Von Clausewitz”. O general prussiano que se notabilizou pelo célebre dito: "A guerra é a continuação da política por outros meios". Só que Aécio parece inverter o termos da afirmação.


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

#PrivatariaTucana - A fúria do acuado


Por Fernando Brito, no Tijolaço

José Serra sentiu o livro, embora diga que o que há o “A Privataria Tucana” seja “lixo, lixo, lixo”
O artigo que publica hoje em O Globo (restrito aos assinantes, mas reproduzido aqui), embora não lhe fuja da tradição “bolinha de papel” serrista de imputar autoritarismo  a quem o aponta como partícipe – e, nas palavras de FHC, um dos principais artífices – do criminoso processo de privatização brasileiro,  adquire um tom megalômano que só aos que estão submetidos a situações transtornantes podem ter, sobretudo quando estão tão fracos como está o ex-líder tucano.

Aponta uma conspiração continental – não sei o que me faz lembrar do “comunismo internacional” a quem se acusava de estar por trás da maré nacionalista dos anos 60, da qual Serra participava – como pretendendo calar os adversários, intimidá-los, devassá-los e aniquilá-los:
“O PT e seus aliados continentais têm tratado do tema (de supostas restrições à liberdade de imprensa) de modo bastante claro, em todos os fóruns possíveis. Seria a luta contra o “imperialismo midiático”, conceito que atribui toda crítica e contestação a interesses espúrios de potências estrangeiras associadas a “elites” locais. Um arcabouço mental que busca legitimar as pressões liberticidas. Um fascismo (mal)disfarçado”.

Não imagino o que o senhor José Serra possa chamar de “fascismo (mal) disfarçado senão, por exemplo, fatos como o jornal em que ele escreve ter omitido a seus leitores a informação, fática, de que ontem se protocolizou um pedido de CPI sobre o processo de privatização do qual ele foi um dos “big men”.
Ele ataca, por exemplo, a decisão soberana do legislativo (eleito) argentino de aprovar projeto da presidenta (recém-reeleita, por larga margem) daquele país estabelecendo que a produção de papel de imprensa é de interesse social, sem dar um pio sobre o fato de que o Estado argentino, durante anos e anos, subsidiou com sua participação acionária a produção deste papel os grupos privados mais lucrativos de comunicação.

Se o PT merece críticas é justo pelo contrário, por ser leniente e temeroso com a responsabilização dos que lesaram o Brasil, dissipando, em troca de nada (nada público, ao menos), patrimônio que gerações de nossos antepassados construíram.

A liberdade de imprensa não pode ser para massacrar uns e silenciar sobre outros. Se descaminhos no atual Governo merecem ser apontados, não há razão legítima para que não se os aponte em outros, dos quais o Sr. Serra foi elemento central e seu representante eleitoral.

Em matéria de investir contra empresas de comunicação, o Sr. José Serra não tem do que falar e, ao contrário, a independência de um colunista, no mesmo O Globo, o aponta como feroz atacante de um, “O Estado de Minas”, que não lhes “dá a cabeça”, como outros veículos o fazem, dos que se atrevem a desagradá-lo.

Ou a disputar-lhe, como fez o Sr. Aécio Neves, a posição de príncipe tucano, condição da qual Serra se considera, por direito hereditário, detentor sempre legítimo. Mesmo já destronado, o banzo da coroação que jamais teve domina sua mente ressentida.

A coluna de Ilimar Franco vai no post reproduzida, para que se possa ser como os atos de Serra desmentem as palavras de Serra.

O senhor José Serra, intolerante por natureza e autoritário pelo poder político que um dia representou, está acuado e, por isso, feroz.

Não precisa sequer ser provocado por uma imprensa que não lhe é hostil, não o questiona e não apura os fatos aos quais  está- como relata o “A Privataria Tucana” – envolvido.

O desespero que lhe aflige é o do rei ao qual o menino grita estar nu.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Jarbas quer Serra à frente da oposição, Guerra não



Senador peemedebista entende que José Serra reúne as condições para aglutinar a oposição. Já Sérgio Guerra prefere apostar no fortalecimento da imagem nacional de Aécio Neves

O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) ofereceu, na última quarta-feira, um jantar, no seu apartamento em Brasília, para o ex-governador de São Paulo e pretenso presidenciável José Serra (PSDB), com a ideia de discutir um novo papel para a oposição no País. O encontro contou ainda com a participação de outros senadores que compõem o bloco oposicionista. O peemedebista, que é um admirador confesso do tucano, quer o aliado à frente do movimento. Jarbas entende que Serra ainda é o melhor nome que pode se contrapor ao modelo de gestão e de fazer política implantados pelo ex-presidente Lula (PT) e continuado pela presidente Dilma Rousseff (PT).

Curiosamente, é justamente o presidente nacional do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra, o maior opositor do “resgate” da figura de José Serra. O dirigente tucano quer o senador Aécio Neves (MG) cumprindo esse papel. O mandatário da legenda não fala abertamente nesses termos, contudo, nos bastidores, a posição de Guerra é muito clara. Para ele, Aécio é a bola da vez e Serra tem que entender isso.
Tanto que é o próprio deputado Sérgio Guerra o maior entusiasta para que o senador Aécio Neves percorra o Brasil, participando das discussões eleitorais do PSDB nos municípios, para fortalecer nacionalmente a sua imagem.

Entretanto, as maiores figuras da oposição no País ainda não foram seduzidas pelo jeito mineiro de Aécio de fazer oposição. A disposição de José Serra é quem tem provocado esse efeito. “Serra mostrou interesse em conversar sobre o Brasil, sobre política nacional...”, adiantou o senador Jarbas Vasconcelos, em entrevista à colunista Ana Lúcia Andrade, do Jornal do Commercio. Porém, o peemedebista fez questão de ressaltar que o movimento tem caráter eleitoral. “Não tem uma pauta específica. É conversar sobre política. Não tem nada de eleitoral nem partidário”, concluiu.

Fonte: Brasil 247

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Dirceu diz que oposição está em estado terminal


da Agência Estado:

O ex-ministro chefe da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu afirmou na noite desta quinta-feira, 17, em discurso para cerca de 450 sindicalistas, que a oposição está "em estado terminal e sem discurso" e que os partidos contrários ao governo Dilma criam, ainda, um clima para desestabilizar a atual administração petista. "O DEM está praticamente em estado terminal e o PSDB está profundamente dividido. A oposição não tem eco na sociedade", afirmou o ex-ministro da Casa Civil, no discurso de abertura do VII Congresso dos Metalúrgicos do ABC.

No discurso, Dirceu rebateu também as afirmações do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, em Washington, de que a presidente Dilma Rousseff está tendo agora que desmontar um esquema de corrupção criado no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "A corrupção na administração pública, no Estado, no governo não significa corrupção do governo, da presidente ou do partido. Isso é preciso provar e comprovar", frisou.

Em seu pronunciamento de cerca de 40 minutos, o deputado cassado citou que as mobilizações no País contra a corrupção fazem parte da agenda petista. E afirmou que o fim das votações secretas no Congresso, a aplicação da Lei da Ficha Limpa e a garantia de plenos poderes para o Conselho Nacional de Justiça são bandeiras do PT. "Essa agenda (anticorrupção) também é nessa agenda."

Ainda no discurso que proferiu, o ex-ministro acusou a imprensa, em geral, de estar a serviço da oposição. "O PT se consolidou (no governo), apesar do ataque e da guerra que fizeram contra o partido em 2005 e 2009 e da tentativa de desestabilizar e de dar um golpe a partir da crise de 2005", disse Dirceu, réu no processo conhecido como "Mensalão".

Os sindicalistas pretendiam fazer nesta noite uma homenagem ao ex-presidente Lula, usando máscaras que seriam compradas na Escola de Samba Gaviões da Fiel, retratando Lula. De acordo com a assessoria de imprensa do sindicato, porém, a homenagem não pôde ser feita porque as 12 mil máscaras produzidas pela escola já haviam sido distribuídas para a torcida corintiana, que deverá usá-las no jogo do próximo domingo. Após o discurso, o ex-ministro evitou a imprensa e deixou o evento sem dar entrevista.



sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Oposição sem Rumo - FHC enterra Aécio


por Josias de Souza, na Folha 

Em seus diálogos privados, Fernando Henrique Cardoso tem dedicado a Aécio Neves críticas ácidas.
Na opinião de FHC, o comportamento de Aécio é incompatível com o desejo dele de ser candidato à Presidência da República.
Presidente de honra do PSDB, FHC se queixa da “ausência” de Aécio na discussão sobre os temas mais relevantes. “Ele não dialoga com a nação”, resume.
Ao esmiuçar o raciocínio, FHC declara: não se trata de antecipar a campanha, mas de escolher um rol de assuntos e se apresentar para o debate.
FHC considera ultrapassada a estratégia de esperar que o calendário se aproxime do ano eleitoral para iniciar a exposição. É tática “velha”, eis a palavra que usou.
Insinua que, desde que se elegeu senador, no ano passado, Aécio enfurnou-se no Senado. O ideal, segundo diz, é que o presidenciável corresse o país.
Acha que Aécio deveria aproveitar a atmosfera de pré-campanha municipal para visitar os municípios com maior quantidade de eleitores.
Sintomaticamente, Aécio prepara um ciclo de viagens para o início de dezembro. Deve passar por Pernambuco no dia 8, pela Bahia no dia 9 e pelo Espírito Santo no dia 10.
De resto, Aécio articula com o aliado Sérgio Guerra, presidente do PSDB, uma agenda de viagens aos municípios onde o partido dispõe de candidatos bem postos.
Na opinião de FHC, deve-se sobretudo ao vazio proporcionado pela inação de Aécio a sobrevida da candidatura presidencial de José Serra.
FHC enxerga em Serra, por exemplo, credenciais para fazer incursões no debate sobre a degradação moral da política.
Costuma dizer que sempre houve corrupção na política. Mas acha que, agora, subverteu-se a ordem das coisas: há política na corrupção.
Dito de outro modo: hoje, a corrupção, por abundante, prevalece sobre a política, ofuscando-a. “O Serra é duro o bastante para romper com isso”, acredita.
O que se esconde sob os comentários de FHC é, em essencia, uma ponta de decepção com Aécio.
Nas pegadas da derrota de Serra para Dilma Rousseff, na eleição presidencial do ano passado, FHC dissera que a fila do PSDB andara. Seria a vez de Aécio.
Daí o desapontamento. Na avaliação de FHC, Aécio desperdiça sua hora.