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quinta-feira, 8 de março de 2012

O combustível autoritário de Kassab

Ilustração do Blog
Claro que acho razoável toda iniciativa da prefeitura de São Paulo para garantir um pouco de ordem ao trânsito da cidade. É positivo, portanto, que se procure organizar horários para transporte de carga e circulação.

Mas está na cara que a greve de 260 000 caminhoneiros é sinal de um problema político, também.

Ninguem consegue deixar a maior cidade brasileira à beira da paralisia se não conta com um apoio firme e decidido de seus liderados. São Paulo e suas cidades vizinhas consomem entre 30 e 40 milhões de litros de combustível todos os dias. No último controle, foram entregues 2 milhões.

Já começo a ler observadores e articulistas que divulgam protestos sociológicos contra o uso exagerado de automóvel e nossa dependência em relação à gasolina. É uma queixa correta ontem e amanhã. Hoje, o problema é falta de democracia.

É preciso ser muito ingênuo para imaginar que seria possível prejudicar 260 000 caminhoneiros, que já se queixam de outras restrições a seu serviço, sem que eles tivessem disposição de reagir.

Numa democracia, é preciso definir prioridades e submeter a minoria à maioria. Os interesses da cidade são mais importantes do que benefícios de caminhoneiros. Mas não adianta querer enfiar uma decisão política goela abaixo dos prejudicados, como se eles não pudessem responder. Tanto podem que deixaram a cidade num ambiente de medo e incertezas como há muito não se via.

Não há dúvida de que Gilberto Kassab é um político habilidoso. Construiu um dos maiores partidos políticos em pouco mais de um ano de trabalho. Mas o prefeito deveria usar habilidade para negociar interesses, aproximar contrários, argumentar e convencer. Se tivesse feito isso na hora certa, a maior cidade brasileira não estaria diante de um espetáculo absurdo de enfrentar um boicote à gasolina



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Sem CPI da Privataria e sem Lei da Mídia, mas com Kassab

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania 


Vá lá que, em nome do pragmatismo político, a roubalheira praticada no Brasil durante a era Fernando Henrique Cardoso, roubalheira essa imortalizada pela obra demolidora do jornalista Amaury Ribeiro Jr. A Privataria Tucana, ou o projeto de regulação da comunicação eletrônica no Brasil, a assim chamada Lei da Mídia, sejam ignoradas, respectivamente, pela cúpula do PT e pelo governo federal.

Estamos vivenciando uma era política que o PSDB e a direita midiática haviam anunciado há mais ou menos uma década e meia, quando decretaram o “fim da história”. Só que, à diferença da era tucana, hoje não há propaganda do fim das ideologias em nome do que seria “pragmatismo político-econômico” – a prática é que exibe uma situação em que o impensável se converte em natural com uma singeleza e uma naturalidade assustadoras.

O próprio Amaury, o Paulo Henrique Amorim – que sabe sempre das coisas – e mais as torcidas do Flamengo e do Corinthians unificadas já descreem da instalação da CPI pelo senhor deputado Marco Maia.
Já a Lei da Mídia, contam as más línguas que só sai se o projeto tiver a rubrica do Otarinho, as dos barões do café e a do ítalo-argentino instalados à Marginal do Tietê, bem como as dos irmãos do Jardim Botânico. Ou seja: não sai se não for para aprofundar a concentração da propriedade de meios de comunicação no Brasil.

Mas o que não dá para entender é a cada vez mais repetida – e cada vez menos negada –suposta aliança do PT de São Paulo com o prefeito Gilberto Kassab, aliança cuja origem no partido a mídia atribui ao ex-presidente Lula – ainda que este, ao que se saiba, esteja ocupado com coisas mais importantes para si, tais como cuidar da própria saúde – e ao pré-candidato a prefeito Fernando Haddad.

Dirão que o PT se aliou a José Sarney e a Paulo Maluf, em nível federal, e que, portanto, aliar-se a Kassab em nível municipal não seria nada demais. Todavia, essas são alianças com o PP e o PMDB, quando, em São Paulo, o que haveria seria uma aliança de cunho personalista com o muito mal avaliado prefeito da cidade, pois não se fala em aliança com o PSD, mas com o seu suposto idealizador.

O PT paulistano, portanto, perdeu para Kassab em 2008, quando ele era popular, e agora, ironicamente, surgem hipóteses de que poderá perder com o mesmo Kassab, pois, atualmente, o ex-poste de José Serra, mergulhado na impopularidade, trata de apunhalar o ex-mentor e se ligar aos seus adversários. E o que é mais surreal: o tucano não diz nada sobre isso. E deve saber por que não diz…

O prejuízo político entre a militância governista seria – ou será – moderado com os sepultamentos da lei da mídia e da CPI.  Sempre que essas hipóteses são aventadas os petistas mais compreensivos insinuam que tais recuos lhes seriam aceitáveis, por assim dizer. Todavia, ainda não encontrei um só petista, nem o mais dócil, condescendendo diante da hipótese de aliança com Kassab.

Sem CPI da Privataria e sem Lei da Mídia, mas com Kassab, então, vejo no horizonte uma pouco provável, mas virtualmente possível futura dissidência de centro-esquerda no PT que poderia se unir à esquerda mais autêntica (PSOL e/ou PSTU, por exemplo) para se contrapor à guinada que a cúpula partidária nacional vai dando em direção à direita.

Quem, como este blogueiro, mensura o ânimo da militância diariamente, já não tem dúvida de que, a persistir o endireitamento do governo e da cúpula governista no PT, a direita demo-tucano-midiática pode começar a ter esperanças. Nem que seja de fazer alianças, pois, onde cabe um Kassab, se pensarmos bem caberiam até José Serra e Fernando Henrique Cardoso. Ou não?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

KASSAB, A ESFINGE



Kassab trabalha para estar no barco vencedor, seja ele qual for.

  Vale parar e observar o jogo do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Ele é, no momento, quem reuniu mais cartas para jogar na eleição do sucessor. Ele não tem apoio popular capaz de mover montanhas —  enfrentou inclusive manifestantes ao sair da missa de ação de graças pelo aniversário da cidade. Mas tem em mãos várias opções. Como disse o vice-presidente da República, Michel Temer, só o prefeito para reunir tanta gente “diferenciada”. Na festa comandada por Kassab coube quase todo o espectro da política brasileira. Estavam ali todos os ensaios que ele faz para a prefeitura paulistana, além da Igreja e do Judiciário, braços importantes da vida pública. 

 No mundo ideal, Kassab queria reunir os “amigos” presentes àquela festa em torno da candidatura de Guilherme Afif Domingos, do PSD, dando aos tucanos o direito de indicar o candidato a vice. Em troca, Kassab adiaria o projeto de concorrer ao governo do estado em 2014 e se colocaria como candidato a vice de Geraldo Alckmin, quando o tucano for concorrer à reeleição, ficando assim “na boca” para 2018. Só nessa condição Kassab se renderia aos projetos de Alckmin, se for o atual governador o grande mentor da candidatura tucana a prefeito, o que até agora não está claro. 

A única forma de Kassab apoiar “de graça” os tucanos, ou seja, sem exigir nada em troca em relação ao futuro, é se o candidato for José Serra. Como Serra não se move — e nem Alckmin dá sinais de que está disposto a ter Kassab na sua vice —, o prefeito joga o capital político adquirido com seu o novo partido em favor de outros atores. O mais visível é Fernando Haddad, ungido por Lula. Mas ainda assim, não é o jogo mais atrativo para o prefeito.   

A candidatura de Haddad é hoje o plano “C” de Kassab para a própria sucessão. Kassab lutou para fundar o PSD, fazer dele um partido “independente” do governo Dilma Rousseff. Portanto, sabe que não pode, no primeiro movimento eleitoral de peso do PSD — caso da prefeitura de São Paulo — correr para se aliar ao primeiro petista candidato que aparece na sua frente. Até porque Fernando Haddad ainda não disse a que veio.
 O prefeito sabe que, se indicar o vice na chapa de Haddad, estará fadado a ficar em segundo plano na política paulistana. E o prefeito planeja ser peça-chave no jogo de 2014. Ao indicar um candidato a vice-prefeito para a chapa do PT à prefeitura, reduziria o seu poder de fogo. Portanto, essa hipótese hoje é considerada remota, embora não seja totalmente descartada diante das opções em estudo pelo PSD.
 
 Por falar em peça-chave…
      O único ator que se mantinha imperceptível até ontem no jogo de Kassab era o PMDB. Ao colocar Michel Temer como responsável pela distribuição das medalhas na cerimônia de ontem, o prefeito tratou de estender a mão ao padrinho da candidatura de Gabriel Chalita (PMDB-SP). Atualmente, Kassab não descarta sequer essa possibilidade dessa aliança. Afinal, Chalita, se não estiver no segundo turno, será fundamental para quem chegar lá, por isso, o deputado peemedebista é cortejado tanto por Kassab quanto pelo PT de Haddad. E não está afastada a hipótese de, passando a um segundo turno, Chalita obter ainda um apoio dos tucanos capitaneados por Alckmin. 

     Ciente dessa possibilidade, Kassab tratou de aproximar o PMDB do seu quintal. Afinal, se tem algo crucial para o prefeito é não estar fora do segundo turno da eleição paulistana, seja como padrinho da vitória, ou como seu parceiro desde o início. Do jeito que joga no momento, ele estará nesse barco vencedor, seja qual for. E errará feio quem subestimar as qualidades políticas de Kassab. Afinal, ele comanda a terceira maior máquina arrecadadora do Brasil. Do nada, fundou um partido que tem hoje quase 50 deputados. E montou tudo isso mantendo laços com os tucanos, se aproximando do PSB, do PT e, agora, do PMDB. A esfínge da mitologia tinha cabeça humana, corpo de leão e asas de águia. Se observamos a forma política do PSD veremos que não é muito diferente, guardadas as devidas proporções. Kassab vive hoje o seu momento de “decifra-me ou devoro-te”. Resta saber por quanto tempo terá condições de surfar nessa onda. Afinal, as ondas da política não são eternas e, se Kassab optar pela canoa errada, corre o risco de perder tudo, assim como aconteceu com o DEM. Mas essa é outra história. 

           

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Ação em SP contra Kassab blinda PSDB; denúncia potiguar, expõe


Denúncia do MP paulista contra Kassab por fraude em inspeção veicular culpa Maluf, Pitta e prefeito, 'da mesma matiz política'. Padrinho de Kassab e 'de matiz política diversa', Serra teria tido 'prática salutar'. Mas ação contra fraude em inspeção veicular no Rio Grande do Norte vê esquema nacional e diz que tucano preso valia-se de 'notória influência política' em estados 'cujos governos são exercidos por gestores filiados ao PSDB'.  STJ libera bens de Kassab.

André Barrocal, Carta Maior

BRASÍLIA – O Superior Tribunal de Justiça (STJ) derrubou nesta quarta-feira (11) liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo que bloqueara os bens do prefeito da capital, Gilberto Kassab (PSD), e suspendera contrato municipal com empresa que tem exclusividade para fazer – e cobrar por isso - inspeção obrigatória no carro dos paulistanos.

A liminar fora concedida em resposta a uma ação ajuizada em novembro pelo Ministério Público do estado de São Paulo contra Kassab, a empresa Controlar e mais 22 acusados, entre pessoas físicas e jurídicas. A ação aponta fraudes na contratação da Controlar em 1995 e na sua efetivação a partir de 2008 que teriam causado prejuízo bilionário ao erário.

Apesar de Kassab ter sido vice do ex-prefeito José Serra (PSDB) e eleito com apoio dele, a ação blinda politicamente o tucano. Segundo a promotoria, as irregularidades “se iniciaram” na gestão Paulo Maluf (1993-1996), “se agravaram” na de Celso Pitta (1997-2000) e “se repetiram de forma insustentável” com Kassab, secretário de Pitta. “Os três da mesma matiz política”, frisa a ação

Já Serra, diz a ação, “este sim de matiz política diversa”, tão logo assumiu a prefeitura, em janeiro de 2005, ordenou, “como lhe determina o princípio republicano” e “em prática salutar”, a revisão de todas as decisões municipais que, desde 1995, tinham levado à assinatura e manutenção do contrato com a Controlar.

No mesmo 24 de novembro em que os promotores Roberto Antonio de Almeida Costa e Marcelo Duarte Daneluzzi, cujo chefe é indicado pelo governador do estado de São Paulo, denunciavam Kassab, no Rio Grande do Norte a hipótese de também ter havido fraude na escolha de empresa que inspecionaria veículos, terminava em prisões. E, ao contrário de São Paulo, a denúncia do MP sobre os fatos que levaram às detenções espalha estilhaços no PSDB.

Segundo a ação, o esquema denunciado tinha alcance nacional e tentou atuar em estados como São Paulo, Alagoas e Minas Gerais, todos administrados por tucanos. O esquema extrapolava a divisa potiguar sobretudo pela ação do tucano João Faustino Ferreira Neto, que, como já foi noticiado, foi preso no dia 24 de novembro, quando promotores e policiais agiram contra o esquema.

De acordo com a denúncia apresentada à Justiça por seis promotores potiguares, Faustino “atuou como 'lobista' em favor do grupo, valendo-se de sua notória influência política no Rio Grande do Norte e junto a estados da federação cujos governos são exercidos por gestores filiados ao PSDB”.

Como já se sabia, Faustino foi membro da Comissão Executiva Nacional do PSDB, subchefe de Assuntos Federativos do ex-presidente Fernando Henrique e um dos subchefes da Casa Civil de Serra durante a gestão dele como governador de São Paulo (2007-2010). Atualmente, é suplente do senador José Agripino Maia (RN), presidente do DEM.

Cartórios e lobistas
 
Segundo a denúncia, a “organização criminosa” da qual Faustino fazia parte tinha dois objetivos básicos. Um paroquial. Fraudar licitação realizada pelo governo potiguar em 2010 que escolheria a empresa que faria inspeção veicular e, assim, garantir a vitória de uma específica. A gestão estadual acusada de participar da fraude era do PSB.

O outro objetivo da organização era vender para governos pelo país um esquema pelo qual seria obrigatório o registro em cartório de certos tipos de contratos de financiamento de veículos. O motivo de o setor cartorial ser a área de atuação da organização está naquele que é apontado pelos promotores como chefe da organização.

George Olímpio da Silveira é de família qua ganha vida com cartório. Uma tia dele preside o Instituto de Registro de Títulos e Documentos e de Pessoas Jurídicas do Rio Grande do Norte. Marluce Olímpio Freire também foi denunciada pelo MP. George é sócio da empresa que ganhou a licitação fraudada sobre inspeção veicular, chamada Inspar.

Um e-mail de fevereiro de 2008 interceptado pelo MP durante as investigações mostra George Olímpio conversando com parceiros sobre suas negociações no estado de São Paulo de que fosse obrigatório registro em cartório contratos de financiamento de carros. Segundo os promotores, este e-mail mostrou “que a fraude perpetrada” no Rio Grande do Norte “também já estava em curso no Estado de São Paulo”. Na época, o governador paulista era José Serra.

Outro parceiro do grupo é o lobista Alcides Fernandes Barbosa. Segundo a denúncia, Barbosa “recebeu o convite de George Olímpio para participar da fraude da inspeção veicular, momento em que passou a compor a organização criminosa, através de indicação de João Faustino Ferreira Neto, a quem já conhecia da época em que este era Sub-Secretário da Casa Civil do Estado de São Paulo”.

Segundo o Ministério Público, Alcides Barbosa foi peça fundamental na fraude no Rio Grande do Norte porque teria negociado em São Paulo para que a empresa da inspeção veicular da gestão Kassab (Controlar) não entrasse na licitação potiguar, mesmo sendo do ramo. Assim, ficaria mais fácil de a Inspar vencer, prejudicando o interesse público por falta de concorrência.

A Controlar teria topado e, por isso, seu presidente, Harald Peter Zwetkoff, foi denunciado criminalmente pelo MP do Rio Grande do Norte, assim como em São Paulo.

Apesar de ter apontado conexões nacionais de George Olímpio e sua organização, a denúncia não diz que essas tentativas tenham dado certo.

A Justiça do Rio Grande do Norte não decidiu ainda se aceita a denúncia dos promotores.


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Kassab gasta 60 mi para a F1, mas Interlagos esquece da rede de esgoto



Os R$ 60 milhões que a Prefeitura de São Paulo investiu nos últimos cinco anos para modernizar o Autódromo de Interlagos não resolveram um problema histórico: o espaço que vai receber cerca de 150 mil pessoas até o próximo domingo não tem rede de esgoto.

Os dejetos dos banheiros do autódromo vão para fossas sépticas, um sistema de coleta de esgoto rudimentar, usado hoje apenas em pequenas propriedades da zona rural. Ontem, duas das quatro fossas instaladas atrás dos boxes estavam transbordando, como flagrou a reportagem do Estado. O problema causava um odor insuportável de esgoto ao ar livre para funcionários das equipes que circulavam pela área do paddock e dos boxes. A direção do autódromo informou que o excesso de esgoto seria retirado apenas hoje pela manhã, com a chegada de caminhões...

Mas o transporte de toneladas de dejetos por dois quilômetros, até uma estação de esgoto da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), é motivo de outro problema. As dezenas de caminhões que precisam entrar todos os dias no circuito para fazer a dragagem do volume acumulado nas fossas também ajudam a congestionar e espalhar mau cheiro nas ruas do entorno.

A instalação de uma estação de tratamento de esgoto em Interlagos já deveria estar pronta. A obra está prevista no Plano Diretor de 2002, que expira no próximo ano. A obrigação visava justamente a evitar o tráfego de caminhões carregados com esgoto nas imediações do bairro e os consequentes riscos para a saúde pública que isso pode causar. Outro risco do uso das fossas é a contaminação do lençol freático que passa por baixo do autódromo, localizado entre duas das mais importantes áreas de mananciais da capital, as Represas Billings e do Guarapiranga.

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) chegou a prometer uma solução para o problema em dezembro, mas a obra de saneamento não foi incluída no pacote de R$ 11 milhões que o governo municipal investiu para garantir a Fórmula 1 em São Paulo até 2014, como a construção de nova arquibancada. “Nenhum empreendimento do porte de Interlagos conseguiria licença no Brasil ou em qualquer lugar do mundo se não tivesse uma estação de tratamento de esgoto. Isso mostra a distância entre a intenção de se querer fazer um evento internacional de ponta e a realidade do saneamento básico no Brasil”, aponta Mario Mantovani, coordenador da ONG SOS Mata Atlântica.

Vazamentos. Quem mora nas casas vizinhas do autódromo reclama do cheiro insuportável causado pela circulação de caminhões com tanques carregados de esgoto, muitos com vazamentos. “O pior é sempre quando tem Fórmula 1. Não para de passar caminhão cheio de esgoto aqui na frente”, relata o eletricista Mauro Antonio de Souza, de 41 anos, morador há duas décadas na Rua Manuel de Teffé.

Além de receber todos os anos a Fórmula 1, o Autódromo de Interlagos funciona como área de lazer todos os dias - a área de 1 milhão de metros quadrados também tem uma quadra de futebol e duas poliesportivas.

“O mau cheiro aqui é um problema de mais de 30 anos, dentro e fora do autódromo”, lamenta Paulo José Rodrigues, de 56 anos, gerente do Hotel Pit Stop, que funciona ao lado do autódromo.

Estado/ Amigos do presidente Lula