segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

OAB-PE reúne esforços contra @SophiaOfDreams - responsável por comentários contra nordestinos

Por Raphael Coutinho_PE247

Imagem: Reprodução

Seccional Pernambuco da entidade ofereceu notícia-crime ao Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul (MPF-RS) contra a estudante Sophia Fernandes, que ficou conhecida pelas mensagens racistas postadas em sua página pessoal do Twitter.


 A Ordem dos Advogados do Brasil seccional Pernambuco (OAB-PE) ofereceu, nesta segunda-feira (12), uma notícia-crime ao Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul (MPF-RS) contra a estudante Sophia Fernandes referente às mensagens racistas postadas em sua página pessoal do Twitter. Na última sexta-feira (09), a estudante postou frases caracterizadas pelo crime de racismo contra o povo nordestino, o que fere um dos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana.

Tipificado no capítulo E, inciso 2º, do art. 20, da Lei nº 7.716, de 05 de janeiro de 1989, para o crime “a pena a ser aplicada é de dois a cinco anos de reclusão e multa”. Além disso, a infração de racismo é imprescritível e inafiançável, nos termos o art. 5º, XLII, da Constituição Federal de 1988.

Entre as frases que configuram o crime de racismo, Sophia relatou no microblog que “o twitter ta virando vaso sanitário...” , “muita merda twittando”. “(Oimacacos)-nordestinos-piauienses-cearenses”, “Sai do Twitter e vai cortar tua cana pra comprar teu arroz NORDESTINO”, “Tem que usar câmara de gás pra matar teu povo”, “O Nordestino é a própria sujeira”.

A seccional Pernambuco da OAB já atuou em outros casos semelhantes. Em novembro do ano passado, a estudante de Direito Mayara Petruso, de São Paulo, foi uma das responsáveis pela onda de manifestações preconceituosas contra nordestinos, na internet, após o anúncio da vitória da então candidata do PT, Dilma Rousseff, nas eleições presidenciais . "Nordestino não é gente, faça um favor a São Paulo, mate um nordestino afogado". Essa foi a mensagem postada por Mayara Petruso no Twitter e que, rapidamente, se espalhou por todo o País.

Naquela época, a OAB-PE ofereceu notícia-crime no MPF-SP - que a denunciou pela prática do crime de racismo. Atualmente, Mayara Petruso responde a uma ação penal pública incondicionada na Justiça Federal daquele Estado, já tendo, inclusive, sido ouvida na ação que está, agora, em fase de instrução.


  • Atualizado às 15:48 - 13/12

SophiaOfDreams terá que provar que foi hackeada

 Por Gilberto Prazeres e Beatriz Braga_PE247

A possibilidade de a página no Twitter da estudante gaúcha Sophia Fernandes (@SophiaOfDreams), que ficou conhecida pela divulgação de mensagens racistas no microblog, ter sido hackeada – como sugere matéria do site Linhadefensiva - não afetará o ritmo da o processo que será movido pelo Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul (MPF-RS) contra ela. Sophia terá que provar que sua conta foi realmente invadida e que não possui ligação alguma com os polêmicos posts.

“Durante o processo, ela terá que provar à Polícia Federal que teve sua conta invadida e que não foi autora das frases racistas publicadas em seu Twitter. Até lá, segue como objeto de instrumento do processo. Caso a Sophia prove que os comentários não são de sua autoria, o verdadeiro autor será o novo alvo desse processo”, explicou o presidente da OAB-PE, Henrique Mariano.

Desde a quarta-feira (9), o twitter da suposta Sophia Fernandes ganhou 30 mil seguidores e sua página no Facebook, outros 400. Além das 8.000 denúncias feitas por brasileiros indignados. Conforme a matéria do Linhadefensiva, hackers teriam furtado fotos da estudante curitibana Eloísa Guimarães, provavelmente de sua conta no site vibeblog, feito para divulgação de imagens de seus usuários. A sulista já abriu um Boletim de Ocorrência (BO) para denunciar a falsidade ideológica. Os responsáveis pelo “trote” ainda não foram identificados.

Entre os comentários postados estavam “Sai do Twitter e vai cortar tua cana pra comprar teu arroz Nordestino” e “O nordestino é a própria sujeira”. Agora, a polêmica página do twitter exibe um novo contexto dos últimos dias. O seu layout e as mensagens veiculadas informam que o perfil foi hackeado (invadido pro programadores) em prol do combate ao preconceito.

Famílias midiáticas estão na cola do Amaury. Saiba por quê

Há anos que o senhor X, vez por outra, fornece informações de dentro do ventre do dragão midiático. Ele trabalha em um desses prostíbulos dos barões da mídia. Mas, como muitos que ali ganham o pão de cada dia, garanto que não faz “programa”, pois se dedica tão-somente a tarefas decentes, o que o obriga a se manter longe da cobertura política.

As notícias que tenho para o jornalista Amaury Ribeiro Jr. não são boas – ainda que ele ao menos já intua o que revelarei, se é que não sabe mais do que vou dizer a seguir: está aberta a temporada de caça ao autor de A Privataria Tucana.

As redações da imprensa golpista enveredaram por uma busca frenética de elementos que possam ser usados contra ele devido ao fato de que agora que se sabe que a filha de Serra  também responde a inquérito a acusação de que o jornalista está sendo investigado por supostamente ter feito dossiê contra Serra no ano passado não basta para desqualificá-lo. É preciso mais. Bem mais.

Mas, enfim, o post não é só sobre isso. É, também, para explicar a razão pela qual a mídia quer distância do tema Privataria Tucana. E para que se possa entender por que, voltemos a diálogo travado em 1998 entre o então presidente Fernando Henrique Cardoso e o seu ministro das Comunicações, o Mendonça de Barros, no auge da privataria:

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Mendonça de Barros – “A imprensa está muito favorável, com editoriais…”
Fernando Henrique Cardoso – “Está demais, né? Estão exagerando, até.”
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A conversa completa, registrada em gravação, pode ser lida aqui, nos arquivos da revista Carta Capital.
Essa conversa foi gravada ilegalmente, mas veio à tona à época e foi largamente reproduzida pela imprensa, tendo levado à queda do ministro. FHC jamais foi cobrado pela imprensa que disse que lhe era tão “favorável” que até “exagerava”. E exagerava mesmo. O apoio da mídia ao governo FHC foi escandaloso.

Enquanto isso, a mesma mídia dizia que o PT, agora na oposição, era adepto do “Quanto pior, melhor”. Hoje em dia, diz que a oposição está apenas cumprindo com seu papel “republicano”. Ou seja: o PT era inaceitável para Globo, Folha, Veja e Estadão até quando era oposição. O PT, para esses veículos, simplesmente não deveria existir. Deveria ser posto na ilegalidade.

Mas por que a mídia defendia – e continua defendendo – tanto a privataria tucana? Simples, porque enquanto publicava editoriais aos quais FHC e Mendonção se referiram naquelas gravações, tratava de fazer bons negócios com o que estava sendo vendido a preço de banana.

Veja a seguir, leitor, cada negócio que esses barões da mídia tão zelosos com o dinheiro público fizeram na época da privataria tucana enquanto a defendiam sem informar aos seus leitores que tinham interesse direto no que estava sendo doado pelo governo ao setor privado.

A família Mesquita, do Estadão, saiu do processo de privatização como sócia da empresa de telefonia celular BCP (atualmente, Claro) na região Metropolina de São Paulo. O Grupo OESP (Estadão) ficou com 6% do consórcio, o Banco Safra com 44%,  a Bell South (EUA) com 44% e o grupo Splice com 6%.
Já a família Frias, dona da Folha de São Paulo, aproveitou a liquidação da privataria para adquirir opção de compra de 5% do consórcio Avantel Comunicações – Air Touch (EUA) 25% e grupo Stelar mais 25% -, que ficou com 50% da telefonia paulistana, tendo a construtora Camargo Correa comprado mais 25% e o Unibanco os 25% restantes.

Finalmente, a família Marinho. Mergulhou fundo na Globopar, empresa de participações formada para adquirir parte da privataria, tendo comprado 40% do consórcio TT2, que disputava a telefonia celular nas áreas dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, ficando o resto com a americana ATT, que comprou 37%, com o Bradesco, que comprou 20%, e com a italiana Stet, que se contentou com 3%.
Os Marinho também abocanharam o consórcio Vicunha Telecomunicações, que envolvia telefonia celular na Bahia e em Sergipe. A Stet (Itália) ficou com 44%, o Grupo Vicunha com37% e a Globopar e o Bradesco com 20%.

Abaixo, a tabela de participação de cada empresa no processo de privataria da telefonia, o apetitoso Sistema Telebrás, que os barões da mídia defenderam no Estadão, no Globo e na Folha sem informarem aos seus leitores que estavam envolvidos nos negócios que adviriam da venda de patrimônio público.

Quem quiser conferir melhor essa divisão do saque ao patrimônio público que o livro A Privataria Tucana denuncia, pode acessar o estudo “INVESTIMENTO E PRIVATIZAÇÃO DAS TELECOMUNICAÇÕES NO BRASIL: DOIS VETORES DA MESMA ESTRATÉGIA”. Não contém opiniões, contém fatos – quem comprou o quê durante o processo de privatização do governo FHC.

Como se vê, a mídia tem todas as razões do mundo para temer uma investigação que, para ser totalmente franco, deveria ter sido aberta pelo governo Lula no primeiro dia de 2003, tão logo o poder finalmente mudou de mãos no Brasil. Mas a grande maioria do governo do PT achou que evitaria uma guerra com a mídia e a oposição se prevaricasse e não investigasse nada.

Deu no que deu.


por Eduardo Guimarães, no seu Blog

Advogados pedem afastamento de Ophir Cavalcante

por Marília Scriboni, no Conjur

Imagem Ilustrativa (Internet)
Uma comitiva de advogados apresentou representação no Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil contra o presidente da entidade, Ophir Cavalcante. O grupo, liderado por Jarbas Vasconcelos, presidente eleito e afastado da OAB do Pará, acusa o advogado de corrupção e improbidade. O pedido foi distribuído nesta segunda-feira (12/12) entre os conselheiros. Também foram apresentados pedidos de afastamento de Alberto de Paula Machado, vice-presidente, e de Marcia Regina Machado Melare, secretária-geral adjunta. O presidente da OAB se manifestará sobre o assunto ainda nesta segunda-feira. No momento, Ophir Cavalcente acompanha a sessão.

A representação também é assinado por Alberto Antônio de Albuquerque Campos, vice-presidente da OAB-PA. Os dois advogados levaram diversas acusações ao Conselho Federal. Segundo eles, ações que tramitam na Justiça Comum e Federal contra o advogado, caso Ophir Cavalcante fique no cargo, permaneceriam prejudicadas, pois “a pressão atrapalha as investigações”.

Numa das ações, Ophir Cavalcante é acusado de receber, há mais de 13 anos, rendimentos mensais de R$ 20 mil, como procurador do Pará. Pelos cálculos de Jarbas Vasconcelos, o dano ao erário estadual atingire quase R$ 1,5 milhão. "Ophir não poderia advogar para ninguém, já que o cargo requer dedicação exclusiva", disse Jarbas Vasconcelos do Carmo, em conversa com a revista Consultor Jurídico. Ele também foi denunciado por recebimento de particulares para advogar contra os interesses do Pará. A conduta é tipificada como patrocínio infiel.

"Até agora, o Conselho Federal não tomou nenhuma posição sobre o assunto, embora sejam de conhecimento do público as ações contra o presidente. Com nosso pedido, não é possível que a OAB vá se calar", acredita Jarbas Vasconcelos.
As acusações também serão apresentadas, na parte da tarde, ao Conselho Nacional de Justiça.
Intervenção
No final de outubro, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil decidiu intervir na seccional paraense da OAB. A intervenção foi aprovada por 20 bancadas e dois ex-presidentes que têm direito a voto, em sessão fechada que durou quase dez horas. Quatro seccionais votaram contra a intervenção. Com a decisão, os cinco diretores da OAB do Pará envolvidos em um processo que investiga irregularidades na venda de um terreno em Altamira ficarão afastados por seis meses, até a conclusão das investigações.

A intervenção tem por objetivo esclarecer a venda de um terreno que pertencia à seccional, ao lado do Fórum Trabalhista de Altamira, no interior paraense. O terreno foi vendido por R$ 301 mil para o conselheiro Robério D’Oliveira.

De acordo com conselheiros que se afastaram por conta própria da seccional, o terreno vale até três vezes mais e a negociação foi recheada de irregularidades. Uma procuração com assinatura falsificada do vice-presidente da seccional, Evaldo Pinto, teria sido utilizada no fechamento do negócio. A venda foi desfeita, mas a diretoria rachou. Três dos cinco diretores que podem ser afastados romperam com o presidente, Jarbas Vasconcelos, e se afastaram da diretoria. Outros 23 conselheiros seguiram o mesmo caminho.

Via @Eu Cobro 

A fala de Amaury, o livro e a CPI


por Rodrigo Vianna, no O Escrevinhador

Ilustração do Blog
Participei da tuitcam com Amaury Ribeiro Jr, na última sexta-feira.* O autor (que é também jornalista) estava  um pouco exaltado no início do bate-bapo. Cheguei a pensar: a editora deveria ter preparado melhor isso, com um formato mais organizado, combinado com o Amaury como se portar. Depois, percebi que isso era fruto de minha cabeça “viciada” de TV.

Aquilo não era um programa de TV. Era um papo na internet. Amaury se mostrou como é: ele fala meio enrolado (como sabem todos os que convivem com ele), exalta-se facilmente, parece perder-se na miudeza dos fatos, mas de repente engata um raciocnio complicado sobre o sistema de lavagem de dinheiro – que conhece profundamente. E revela a grandiosidade da investigação que conduziu.  O Amaury é assim! A tuitcam serviu para mostrá-lo como é, sem retoques.

E é preciso entender o que o Amaury passou ano passado. A imprensa tentou trucidá-lo, transformá-lo num bandido. Ele, que tinha trabalhado nas principais redações do país, foi transformado no pivô de um história que o serrismo e seus parceiros da mídia usaram pra tentar virar a eleição.

Por isso, quando abri a conversa perguntando pro Amaury “quem é mais importante nessa história, Ricardo Sergio ou Serra?”, ele respondeu: “a imprensa, a mídia”.

O resultado das mais de duas horas de convesa com o Amaury foi um volume brutal de informações – que deve ter deixado ainda mais gente com vontade de ler o  já famoso “A Privataria Tucana”.
Ainda durante a tuitcam, soubemos da capa da “Veja” – com a denúncia contra petistas de Minas (oh, santa coincidência) que teriam encomendado arapongagens contra tucanos (pobrezinhos). Essa é a “Veja”. A capa foi o primeiro tiro de Serra no contra-ataque ao livro do Amaury.

O curioso é que, no bate-papo com os blogueiros Amaury tinha avisado que essa é uma prática do serrismo: quando se sente acuado, cria uma situação para desviar o foco das atenções; costuma acusar os adversarios daquilo que faz. Por isso, Serra (que segundo Amaury usa e abusa dos dossiês) passou várias semanas na campanha de 2010 acusando os adversários de prepararem dossiê contra ele. O contra-ataque na “Veja” parece seguir essa linha.

Nas próximas semanas, podemos esperar: campanhas de desqualificaçãos (mini dossiês contra Amaury e outros que tiveram a coragem de ajudar a preparar esse livro histórico), ataques contra setores do PT e contra o aecismo (que Serra acredita estar por trás de Amaury), mas também muitas novidades a partir do que o livro mostrou.

O “Tijolaço”, do Brizola, descobriu uma ponte entre a CITCO (paraíso das offshores de Ricardo Sérgio e de outros personagens citados no livro) e o filho de FHC.

Outro desdobramento: as reações no Congresso. O PT reagiu de forma um pouco discreta. Mas há vozes dissonantes (também em outros partidos) clamando por uma “CPI da Privataria”. Essa seria uma grande bandeira: CPI da Privataria!

Importante também seria algum parlamentar chamar Amaury e Ricardo Sérgio (além de Verônica Serra e Verônica Dantas) para depois no Congresso.

*Participaram da tuitcam, além desse escrevinhador: Azenha e Conceição (“VioMundo”), Emediato (dono da Geração, editora que lançou o livro), Fernando Brito (“Tijolaço”), Luiz (“Minas sem Censura”), Maringoni (“CartaMaior”), Miro (“Blog do Miro”), Luiz (“Minas Sem Censura”) Nassif (Blog do Nassif), Rovai (“Blog do Rovai” e revista “Forum”).

domingo, 11 de dezembro de 2011

Do paraíso fiscal ao Paraíso, SP. A conexão Citco-PHC

Por Fernando Brito, no Tijolaço

Não, não é FHC de Fernando Henrique Cardoso. É mesmo PHC, de Paulo Henrique Cardoso, filho do ex-presidente.


É o primeiro dos fios do novelo obscuro puxado pelo livro “Privataria Tucana” que, nós dissemos, iam começar a ser puxados.


Aos fatos, sem ilações e com documentos.

O livro de Amaury Ribeiro Mostra que as empresas de fachada offshore de Ricardo Sérgio Oliveira, Verônica Serra e seu marido Alexandre Bourgeois foram abrigadas no Citco Building, edifício-sede de um grupo de companhias que, além das Ilhas Virgens onde se situa,  se espalha pelos ancoradouros piratas de Aruba, Curaçao, Bahamas, Ilhas Cayman, Barbados e por aí …


Eles foram para a sede da Citco B.V.I. Limited, em Tortola, como está documentado no livro de Amaury.
Foram longe, porque a Citco tem um escritório de negócios no Brasil. Bem ali em São Paulo, na Avenida Bernardino de Souza, 98, 14° andar, no bairro – se podemos perdoar a ironia – do Paraíso,  onde funciona a Citco Corporate Serviços Limitada, uma “pequena empresa” – com capital registrado de apenas R$ 10 mil – dirigida pelo senhor José Tavares de Lucena, representante plenipotenciário da Citco  Corporate Services, situada no 26° andar do número 701 da Brickell Avenue, em Miami, Flórida.


O décimo-quarto andar do nosso Paraíso paulistano é também a sede de inúmeras empresas. O senhor Lucena é um homem polivalente, que administra um uma plêiade de empresas dedicadas a negócios imobiliários  (a Select Brasil Investimentos), de telecomunicações( BBT do Brasil), informática (Torex International Sistemas de Informática), de embalagens (Dixie Toga, a dos copinhos plásticos) e muitas outras.


Nessa árdua tarefa ele tem a ajuda de outro contador, Jobelino Vitoriano Locateli, ambos muito atarefados com suas tarefas de representar oficialmente instituições de grande porte, como o JP Morgan e Citibank.

Mas sobra um cantinho no amplo andar do prédio da Bernardino de Souza para empresas menores,tão pobres quanto  a pobre Citco Corporate Serviços Limitada e seus R$ 10 mil de capital social.


É o caso da Radio Holdings SA , que tem capital social neste valor, dos quais 98,6% (R4 9.860,00) pertencem a PHC, Paulo Henrique Cardoso, como demonstra certidão da Junta Comercial de São Paulo. Lucena e Jobelino revezam-se como  administradores da empresa de PHC.



Esta pobre microempresa do filho do ex-presidente Fernando Henrique comprou, por R$ 2,98 milhões -  300 vezes seu capital social – a Rádio Itapema FM, que pertenceu ao grupo Manchete e ao RBS. E o fez como sócia majoritária de ninguém menos que  a Walt Disney Company, sob o nome de ABC Venture Corp, no endereço nos famosos estúdios de Burbank, Califórnia.


A rádio, claro, certamente por economia, também foi para efeitos fiscais, para o Paraíso paulistano da Bernardino de Campos, no mesmo lotado 14°andar.

Mas nada disso vai para os jornais.


Sobre os temas tucanos, o jornalismo investigativo brasileiro não aguenta sequer uma manhã de Google.
Será que o Ministério Público é melhor que ele?

Serra sondou editor para barrar “Privataria tucana”


Por Leonardo Attuch_247 


Em entrevista ao 247, Luiz Fernando Emediato, dono da Geração Editorial, revela como o ex-governador paulista agiu para barrar o livro; num dia, 15 mil exemplares vendidos; em breve, ele estará na lista de “Mais Vendidos” até da Veja

 
“A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Júnior, é um livro polêmico, escrito por um jornalista não menos polêmico, mas certamente competente no que faz. Ex-repórter especial da revista Istoé e do jornal O Globo, Amaury já faturou vários prêmios Esso, que foram celebrados por seus colegas e patrões. Na campanha presidencial de 2010, Amaury caiu em desgraça, acusado de tentar comprar dados de familiares de José Serra protegidos por sigilo fiscal. Neste fim de semana, o jornalista vive sua redenção pessoal. É ele o autor do maior fenômeno editorial brasileiro dos últimos anos. Um livro, que, embora boicotado pelos veículos tradicionais de comunicação, vendeu 15 mil exemplares em um dia, sendo disputado nas livrarias como pão quente.

Por trás desse sucesso, há o dedo de um editor não menos polêmico e também muito competente. É o jornalista Luiz Fernando Emediato, dono da Geração Editorial, que tem estendido a mão a repórteres dispostos a contar boas histórias. Recentemente, ele emplacou grandes sucessos de cunho político, como “Memória das Trevas”, sobre Antônio Carlos Magalhães, vulgo Toninho Malvadeza, e “Honoráveis Bandidos”, sobre a família Sarney, escrito por nosso nobre colaborador Palmério Doria.

Emediato falou ao 247 sobre o desempenho comercial de “A privataria tucana”. E também revelou que o ex-governador paulista agiu para evitar a publicação.

247 – Você esperava esse desempenho de um livro sobre privatizações que aconteceram há tanto tempo?
Luiz Fernando Emediato – Nunca vi nada igual. Foram 15 mil livros vendidos num único dia. É um fenômeno.

247 – Como foi a estratégia de divulgação?
Emediato – Nós tínhamos receio de alguma ordem judicial que impedisse a distribuição. E não mandamos para nenhuma redação. Apenas o autor enviou um exemplar para a Carta Capital, mas todo o barulho foi feito na internet, inclusive por vocês que anteciparam o lançamento. O sucesso prova que há uma grande transformação na sociedade brasileira e revela a força da blogosfera.

247 – A Geração já mandou rodar uma nova edição?
Emediato – Estamos imprimindo mais 15 mil. Subestimamos a demanda, mas o erro não foi só nosso. Algumas livrarias não estavam acreditando. Mas em uma semana o livro estará, de novo, em todos os pontos comerciais.

247 – Você sofreu alguma pressão para não publicar o livro?
Emediato – Eu não diria pressão, mas há alguns dias fui procurado por uma pessoa que propôs uma conversa com o ex-governador José Serra.

247 – Quem foi?
Emediato – Era o Antônio Ramalho, um sindicalista do PSDB que é vice-presidente da Força Sindical.

247 – Você se sentiu intimidado?
Emediato – Não foi exatamente uma intimidação, até porque a abordagem do Ramalho, de quem sou amigo, foi muito elegante. Sentamos, tomamos um café, ele disse que o Serra queria conversar, eu disse que não e pagamos a conta. Num país democrático, quem se sentir incomodado tem o direito de me processar. Teve uma vez que o Guilherme Afif (vice-governador de São Paulo) veio me atacando aos berros, mas eu não dei muita bola.

247 – Você espera muitos processos?
Emediato – Pode ser, mas os nossos advogados dizem que a chance de perdermos é muito pequena. O livro é muito bem documentado. E não há ataques pessoais. São fatos concretos.

247 – Serra é tido como uma pessoa vingativa.
Emediato – Dizem que o Serra não tem adversários, tem inimigos. Eu acho até que já fui vítima dele, numa matéria da Veja, chamada “O lado negro da Força”, onde me enfiaram sem que eu tivesse nada a ver com aquilo. Mas não foi isso que me levou a publicar o livro. E eu, que me senti ofendido pela Veja, processei a revista. Acho que vou ganhar.

247 – Com esses dados de vendas, o livro certamente entrará na lista de mais vendidos. Você acha que entra na Veja?
Emediato – Tem que entrar, se não vai ficar muito feio para eles. A velocidade de vendas da “Privataria Tucana” é superior à do “Honoráveis Bandidos”, que começou em quarto, subiu para terceiro, segundo e depois ficou várias semanas em primeiro. Se a Veja não colocar vai ficar feio, porque o livro certamente entrará na lista da Folha, do Estadão, da Época...

247 – Como foi 2012 para a Geração Editorial?
Emediato – Foi nosso melhor ano. Éramos uma editora pequena, que faturava R$ 3 milhões/ano. Ainda somos pequenos, mas vamos chegar a uns R$ 7 milhões ano.

247 – Qual é o papel deste livro no momento de “faxina ética”?

Emediato – Talvez seja um remédio contra a hipocrisia.

Novas mídias alteram a forma de se fazer jornalismo hoje

De Sérgio Henrique Santos,  Diário de Natal


 "Sempre fui radical, não faço crônicas, nem colunismo de opinião. Sou repórter de rua. O que observo é que hoje concorremos com blogs, assessorias de imprensa, até mesmo os governantes se apresentam como comunicadores..."  Caco Barcellos

A presença maciça das pessoas na internet e as novas mídias estão mudando não apenas as relações sociais, mas a própria comunicação. As chamadas formas não-convencionais de comunicação modificaram a forma de se fazer jornalismo. Agora a função do profissional de imprensa está muito mais ligada ao público que colabora com as informações, mas isso não diminui sua responsabilidade na apuração, nem o compromisso com os chamados "furos", dar a notícia em primeira mão. O assunto foi discutido no seminário A Sociedade em Rede e a Comunicação, realizado esta semana no Teatro Vivo em São Paulo (SP). Entre os convidados, nomes importantes do jornalismo e da comunicação, como a teórica Lúcia Santaella (PUC-SP), Contardo Calligaris (Folha), e os jornalistas Marcelo Tas (Band), Caco Barcellos (Globo) e Rosana Hermann (Record News), apenas para citar alguns nomes.


O jornalista Caco Barcellos mediou um dos debates, e começou polemizando. "É mais importante contar primeiroou contar melhor?", questionou. "Sempre fui radical, não faço crônicas, nem colunismo de opinião. Sou repórter de rua. O que observo é que hoje concorremos com blogs, assessorias de imprensa, até mesmo os governantes se apresentam como comunicadores. Mas ainda temos que ter em mente é a precisão do que escrevemos. Somos historiadores do presente. Um erro nosso, no futuro, comprometerá o trabalho do sociólogo, e mais à frente ainda, dos historiadores".

Um dos principais pontos positivos do surgimento das novas mídias é a interação que o comunicador tem com o público leitor, que também produz conteúdo. "Antes eu mantinha um diálogo de abstração com meus leitores. Lendo os comentários dos posts que faço, percebo que o retorno do trabalho é muito mais rápido", contou José Paulo Kupfer, que já ocupou todos os cargos inerentes à profissão, de repórter a editor-chefe no Rio e em São Paulo. O blog que ele mantém hoje, no portal do Estado de S.Paulo, recebe 40 mil visitas por dia. "O uso de ferramentas como o Twittertambém é positivo. Para mim ele é útil quando traz links, que levam a informações. Não faz muito sentido o formador de opinião usar essa ferramenta para dizer que acordou ou saiu de casa".

O jornalista também citou um exemplo de como as novas mídias mudaram a forma de se fazer jornalismo ao dar mais rapidez ao conteúdo publicado. "Na época da morte de Tancredo Neves, foi necessário que eu escrevesse previamente o texto sobre sua posse, para publicação na revista Exame que sairia dois dias depois. Fiz o texto, dei posse a Tancredo, a revista foi às ruas, mas ele não assumiu o cargo. Foi internado no hospital e todo mundo sabe do resto da história. Desde essa época, aprendi a escrever que está previsto determinada coisa, e não que determinada coisa aconteceu. Hoje, com a internet, esse risco de erro é mínimo. Só se não houver apuração correta dos fatos".

Marcelo Moreira, editor-chefe do telejornal RJTV 2ª Edição (TV Globo-RJ), diz que outra novidade é o acesso a novas informações. "Agora temos imagens que antesdificilmente teríamos acesso. Só que o jornalista não é simplesmente um produtor de conteúdo. Colocar material na internet todo mundo pode fazer. Ao profissional de imprensa cabe o que sempre foi sua missão: filtrar as informações e produzir uma informação que interesse à sociedade", observou. Um exemplo disso ocorreu na prisão do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, líder do tráfico na favela da Rocinha, no Rio. Um morador da Gávea foi o primeiro a enviar à redação da emissora onde Moreira trabalha imagens da escolta de policiais ao traficante. "Nós não soltamos a imagem de imediato. Checamos e observamos que se tratava de um fato realmente relevante".

O âncora da BandNews FM, Eduardo Barão, por trabalhar numa rádio, já está acostumado à interatividade do público com o comunicador. "Por ser um veículo de momento, o rádio possibilita apurar a informação ao vivo mesmo, no momento em que o fato acontece. Uma ferramenta simples como o telefone serve a esse objetivo. Óbvio, com o cuidado de não levar ao ouvinte qualquer informação que chega à emissora. Tem que ter filtro, até porque é impossível estar em todos os lugares ao mesmo tempo", destacou ele.

A rede e os comunicadores

O contato pessoal do jornalista com as fontes, o olho no olho, ainda é a melhor forma de se fazer reportagens. Pelo menos essa é a opinião compartilhada pela maioria dos estudiosos do jornalismo presentes no evento do Teatro Vivo. O jornalista Caco Barcellos, que conduz semanalmente o programa Profissão Repórter (TV Globo), orienta sua equipe de 'focas', como são chamados os recém-formados, a evitar um erro comum a qualquer editor ou chefe de reportagem que elabore uma pauta. "Falo para eles evitarem correr pra internet assim que entregamos a pauta. Quando se publica ou se exibe uma informação já disponível na rede o que está se fazendo é replicar a informação. A internet é uma fonte a mais. É preciso não usá-la como única", defende. Caco destacou que apenas um por cento do que está na rede é produção original, o restante é réplica.

LucianoPalma, consultor de redes sociais, disse que alguns interesses do jornalista se frustram quando algum "furo" é dado pelo Twitter. "Só que as pessoas não percebem que agora o Twitter é o furo. Tem verdades e mentiras publicadas, e replicadas frequentemente. Não há como competir com boatos. O boato sempre chega antes da verdade". Já Lúcia Santaella, professora da PUC-SP e influente teórica que escreve sobre semiótica, sintetizou as mudanças proporcionadas pelas redes sociais como inerentes aos indivíduos que as usam. "A transformação é no ser humano. As redes sociais, hoje, são a ponta de um iceberg. No futuro não vamos nos contentar só com isso. Estamos num nível tão avançado, que são os computadores que se adaptam ao cotidiano das pessoas, e não o contrário".

O futuro está entre nós, diz jornalista

O futuro das novas mídias parece incerto, e também a forma de se comunicar também vai mudar. Rosana Hermann, jornalista do portal R7.com e da rede Record News, acredita que nem mesmo os personagens do desenho animado Os Jetsons imaginaram o futuro que existe hoje. "Não existem aqueles aparelhos modernosos que substituem o homem, que são um faz-tudo. O futuro está em nós", frisou. Marcelo Tas acredita que nesse futuro as pessoas vão se descobrir que vivem no presente. "Vamos deixar de pensar no futuro. Escreveremos sobre o presente. Aliás, muita gente diz que, com essas tecnologias, perdeu-se o hábito de escrever. Eu acho que não. Nunca se escreveu tanto quanto agora na história da humanidade".

Tas se refere ao aumento no número de livros comercializados nos últimos anos. "Para se ter uma ideia do quanto escrevemos mais hoje do que antes, eu sou o exemplo de pessoa que usa mais o aparelho celular para trafegar textos do que para falar ao telefone", comparou. Se futuramente haverá mais produção, a colaboração em rede se mostra como algo fundamental. Ana Brambilla, jornalista e pesquisadora do mundo digital que estuda a mídia colaborativa há alguns anos, credita a colaboração em rede, no caso do Brasil, aos brasileiros. "Somos um povo muito comunicativo, e as pessoas usam canais como Youtube e Wikipedia para colocar informações. Ai a pergunta: estão fazendo jornalismo? Não. São conteúdos colaborativos. Cabe ao jornalista, ao invés de replicar a informação, buscar nesse público a informação que chega à redação. Assim se faz jornalismo com a colaboração das redes sociais".

Contudo, uma editoria específica parece ainda distante da forma de se fazer jornalismo na atualidade: o esporte. Pelo menos essa é a opinião de Sérgio Xavier Filho, redator-chefe da revista Placar, um dos convidados do painel que discutiu a rede e o futuro. "O jornalismo esportivo, e aquele que cobre futebol em particular, me parece atrasado em comparação com o resto. O futebol demorou demais para entrar na internet. Ainda buscamos uma fórmula sobreo que o leitor quer quando acessa um site em busca de informação esportiva. Aliás, não sabemos nem de quem é o gol no futebol. Em alguns países há legislação específica para isso. Time que sedia competições têm direitos sobre o maior momento do futebol. Aqui ainda estamos distantes disso".