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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Depois de um mês, quem diz que a Cracolândia acabou?

por Gustavo Costa*

03 de janeiro de 2012.
São Paulo e o Brasil amanhecem atentos à operação policial que ocupou a região da Cracolândia.
Viaturas, helicópteros, muita polícia.
O Estado se fez presente com uso da força e da truculência.
Arrancou a pontapés usuários de crack das ruínas da rua Helvétia com a Dino Bueno.
Um lugar escabroso onde centenas de pessoas sobreviviam em meio ao lixo e a excrementos há anos.
Os despejados daquele espaço insalúbre foram empurrados para uma praça qualquer, ali perto mesmo.
Nos dias seguintes, forças policiais ocuparam as ruas do centro. Fincaram suas bases.
As ruínas vieram abaixo.
A dupla Alckmin-Kassab anuncia:  "A Cracolândia acabou".
Pronto, está tudo resolvido, ela não existe mais.
Não, ela não acabou.
A Cracolândia é itinerante.
Ela está esparramada como um câncer pelo centro de São Paulo em vários grupos menores, de 20, 30 pessoas, que continuam vagando pelas ruas da cidade. E escondida debaixo de pontes e viadutos.
O consumo e o tráfico de crack continuam livres.
Os dependentes continuam abandonados, humilhados a cada abordagem policial.
Sem médico.
Sem teto.
Sem dignidade.
Tratados à base de cacetetes e balas de borracha.
O centro de São Paulo vai continuar adoecendo enquanto nós não olharmos na cara dessa gente.
Enquanto um problema social, uma epidemia, estiver sob atribuição da polícia.
E enquanto o Estado não descobrir que por trás de cada cachimbo de crack tem uma história, tem uma vida humana.


(*) Gustavo Costa é um dos mais premiados telejornalistas da nova geração.


Veja abaixo um pequeno documentário sobre o massacre do Pinheirinho.



Enquanto isso, Pedro Rios resiste à fome.



 Extraído do Doladodelá

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Alckmin escracha: aparece denúncia de PM estuprando no Pinheirinho

Por Zé Augusto, no blog Amigos do presidente Lula

Já não aguento mais ver a mesma cara do governador Geraldo Alckmin (PSDB/SP) aparecer no Jornal Nacional dizendo: "será rigorosamente apurado"... quando uma violência contra cidadãos ou corrupção vira escândalo.


Já vi dezenas de vezes. Os meses e os anos passam e o assunto é engavetado. Ninguém sabe, ninguém viu qual foi o resultado da "apuração".


A cada atrocidade do Estado varrida para baixo do tapete, impera a impunidade.

Quando um governador fala fino e não mostra, em alto e bom som, punição exemplar, deixa a mensagem de que o crime compensa.

Impunes, os maus policiais entendem que a fala fina é a senha para continuar "escrachando" à vontade, contanto que seja na calada da noite. Espancam, torturam, abusam, julgam, condenam, executam, desaparecem, extorquem, impõem o terror e o silêncio sobre a população vulnerável.

O resultado de anos e anos de palavras ao vento do governador tucano no Jornal Nacional está aí:






Em tempo: Com um depoimento oficial destes, ao Ministério Público, nem a Folha demotucana consegue deixar de publicar.

PSDB ataca; PT contra-ataca


Nota em repúdio ao artigo do senador Aloysio Nunes

Ilustração do blog (imagem internet)
Secretário Estadual de Comunicação, Aparecido Luiz da Silva, divulga nota repudiando o artigo do Senador tucano Aloysio Nunes que atribui caráter de mentira às denúncias feitas por moradores que vivenciaram a desocupação da Vila Pinheirinho, em São José dos Campos.

Por Portal Linha Direta, sugerido pelo Cido Araújo

Quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012


O Diretório Estadual do PT em São Paulo repudia os ataques feitos pelo senador Aloyzio Nunes Ferreira, em artigo publicado na edição dessa quarta-feira (1º) do jornal “Folha de S. Paulo”. Artigo esse que atribui caráter de mentira às denúncias feitas por moradores que vivenciaram a desocupação da Vila Pinheirinho, em São José dos Campos.

Um mutirão organizado por entidades sociais e movimentos populares coletou mais de 500 depoimentos dos moradores da ocupação ao longo da última segunda-feira (30). Com base nesses relatos foi elaborado um relatório que será entregue ao Governo Federal, ONGs nacionais e internacionais para a devida apuração da ação policial na localidade. A partir dessa conclusão será possível comprovar o que de fato aconteceu.

Também a Audiência Pública ocorrida na Assembléia Legislativa de São Paulo no dia 1 de fevereiro poderia ajudar o nobre Senador do PSDB a descobrir o que é verdade e o que é mentira. Lá, além dos deputados do PT e de outros partidos, estavam representantes do Ministério Público Estadual, da OAB, moradores e entidades sociais.

Não houve por parte do PT nenhum relato de crianças mortas, mas essas foram sim alvo de uma ação violenta e traumática, fartamente documentados em áudio e vídeos. O relato de violência contra crianças, idosos e mulheres não foi feito pelo PT, mas sim por moradores do Pinheirinho e seus vizinhos do entorno que sofreram um ataque por terra e pelo ar. Derramou-se muito sangue, sim, Senador Aloysio Nunes; pessoas foram baleadas, sim; foram espancadas, sim; os abrigos oferecidos parecem campos de concentração, sim. A verdade é que existiam outras soluções possíveis para esse impasse, que não resultariam em uma ação ilegal e truculenta . Por isso a tentativa de mediação junto ao governo federal.

Ficam apenas as perguntas: Por que a determinação da Justiça Federal – de suspender a desocupação – foi descumprida pelo Coronel que comandava a tropa? O que fazia lá o juiz estadual Rodrigo Capez, que não tinha jurisdição no caso, e recomendou ao coronel não acatar a ordem do juiz federal? Qual interesse da juíza Márcia Mathey Loureiro tinha em revogar uma liminar indeferida há anos pela Justiça e mandar a Polícia Militar desocupar a área, se nem mesmo o proprietário da área – o conhecido criminoso de colarinho branco Naji Nahas havia se manifestado?

O PT-SP aguarda uma apuração dos fatos e a descrição da ação de cada um dos agentes dessa desocupação, contemplando, assim, o Governo do Estado, dos juízes, o Governo Municipal, a Polícia Militar, a Guarda Civil Municipal e o Conselho Tutelar local.

Por fim, o Senador do PSDB tenta rebaixar o massacre dos 6.000 moradores do Pinheirinho a uma mera disputa eleitoral.

É a defesa de quem não tem defesa, daqueles que no Estado e na Cidade de São Paulo implementam a política da higienização, seja na Cracolândia ou no Pinheirinho.

A diferença entre o PT e PSDB pode ser avaliada na atuação dos seus Senadores por São Paulo, pois enquanto o Senador Suplicy integrava uma comissão para mediar junto ao Estado e União uma saída para proteger famílias de trabalhadores, que moravam a 8 aos moradores do Pinheirinho e evitar o massacre, o Senador Aloysio Nunes procura justificar a barbárie, pondo a culpa nos moradores e no PT.

Mas uma coisa é verdade, nesta o PT estava com os pobres e o PSDB com o Naji Nahas.

Aparecido Luiz da Silva, secretário de Comunicação do PT-SP

Leia o artigo publicado no jornal Folha de São Paulo nesta quarta-feira (1º)

As mentiras do PT sobre Pinheirinho

Aloysio Nunes Ferreira

Em face da reintegração judicial de posse da área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos, o PT montou uma fábrica de mentiras para divulgar nas próximas campanhas eleitorais. Em respeito aos leitores da Folha, eis as mentiras, seguidas da verdade:

Mentira 1: “O governo federal fez todos os esforços para buscar uma solução pacífica”.

Verdade: Desde 2004, a União nunca se manifestou no processo como parte nem solicitou o deslocamento dos autos para a Justiça Federal. Em 13 de janeiro de 2012, oito anos após a invasão, quando a reintegração já era certa, o Ministério das Cidades – logo o das Cidades, do combalido ministro Mário Negromonte – entregou às pressas à Justiça um “protocolo de intenções”. Sem assinatura, sem dinheiro, sem cronograma para reassentar famílias nem indicação de áreas, o documento, segundo a Justiça, “não dizia nada”, era uma “intenção política vaga.”

Mentira 2: “Derramou-se sangue, foi um massacre, uma barbárie, uma praça de guerra. Até crianças morreram. Esconderam cadáveres”.

Verdade: Não houve, felizmente, nenhuma morte, assim como nas 164 reintegrações feitas pela Polícia Militar em 2011. O massacre não existiu, mas o governo do PT divulgou industrialmente a calúnia. A mentira ganhou corpo quando a “Agência Brasil”, empresa federal, paga com dinheiro do contribuinte, publicou entrevista de um advogado dos invasores dando a entender que seria o porta-voz da OAB, entidade que o desautorizou. A mentira ganhou o mundo. Presente no local, sem explicar se na condição de ativista ou de servidor público, Paulo Maldos, militante petista instalado numa sinecura chamada Secretaria Nacional de Articulação Social, disse ter sido atingido por uma bala de borracha. Não fez BO nem autorizou exame de corpo de delito. Hoje, posa como ex-combatente de uma guerra que não aconteceu.

Mentira 3: “Não houve estrutura para abrigar as famílias”.

Verdade: A operação foi planejada por mais de quatro meses, a pedido da juíza. Participaram PM, membros do Conselho Tutelar, do Ministério Público, da OAB e dos bombeiros. O objetivo era garantir a integridade das pessoas e minimizar os danos. A prefeitura mobilizou mais de 600 servidores e montou oito abrigos. Os abrigos foram diariamente sabotados pelos autodenominados líderes dos sem-teto, que cortavam a água e depredavam os banheiros.

Mentira 4: “Nada foi feito em São Paulo para dar moradia aos desabrigados”.

Verdade: O governo do Estado anunciou mais 5.000 moradias populares em São José dos Campos, as quais se somarão às 2.500 construídas nos últimos anos. Também foi oferecido aluguel social de R$ 500 até que os lares definitivos fiquem prontos. Nenhuma família será deixada para trás.

Entre verdades e mentiras, é certa uma profunda diferença entre PT e PSDB no enfrentamento do drama da moradia para famílias de baixa renda. O Minha Casa, Minha Vida só vai sair do papel em São Paulo graças ao complemento de R$ 20 mil por unidade oferecido pelo governador Geraldo Alckmin às famílias de baixa renda. Sem a ajuda de São Paulo, o governo federal levaria 22 anos para atingir sua meta.

O PT flerta com grupelhos que apostam em invasões e que torcem para que a violência leve os miseráveis da terra ao paraíso. Nós, do PSDB, construímos casas. Respeitar sentença judicial é preservar o Estado de Direito. É vital que esse princípio seja defendido pelas mais altas autoridades. Inclusive pela presidente, que cometeu a ligeireza de, sem maior exame, classificar de barbárie o cumprimento de uma ordem judicial cercado de todas as cautelas que a dramaticidade da situação exigia.

Extraído do viomundo




quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

MUTIRÃO PARA REGISTRAR AS VIOLAÇÕES NO PINHEIRINHO


MUTIRÃO PARA REGISTRAR AS VIOLAÇÕES NO PINHEIRINHO CONTINUARÁ NO PRÓXIMO SÁBADO:

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS : das 7h às 20h Sábado (04/02)


O mutirão em São José dos Campos para formalização de denúncias de inúmeras violações de direitos humanos no Pinheirinho terá seguimento. 

Os Advogados Progressistas estiveram no último domingo e na última segunda-feira no local deixando doações aos desabrigados e registrando os depoimentos dos mesmos e retornaremos. 
Pedimos o apoio para mais essa empreitada. 

- Precisamos de voluntários para a realização de oitivas de depoimentos. Ainda existem centenas de desabrigados que têm muito a dizer sobre o que viram na invasão da PM. 

- Precisamos de voluntários para contribuir com a condução das pessoas que participarão do mutirão saindo de São Paulo até São José dos Campos. O ponto de encontro para a saída será em frente à UNINOVE (saída da Estação Barra Funda do Metrô para o Memorial da América Latina) na Av. Auro Soares de Moura Andrade, às 7h do sábado.

- Estamos recebendo doações de alimentos não perecíveis, roupas e produtos de higiene pessoal no endereço: Lgo Pólvora, 141 - Liberdade - São Paulo aos cuidados de Ellen.



Para se cadastrar no mutirão e/ou enviar alguma denúncia, foto, vídeo, documentos sobre o massacre ocorrido em Pinheirinho envie um e-mail para advogadosprogressistas@gmail.com ou rscvr@uol.com.br. 


Além disso você pode deixar um recado no Facebook: http://www.facebook.com/rodrigoservulo?ref=tn_tnmn


Agradecemos o apoio! Somos Todos Pinheirinho! www.blogdosadvogadosprogressistas.blogspot.com





terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Manifestante em greve de fome em frente à sede da TV Globo pede transparência da mídia

do Portal Imprensa

Pedro Rios Leão não se considera jornalista. Cursou rádio e TV, não concluiu, mas usa sua câmera para noticiar e denunciar assuntos de interesse público, tentando chamar atenção da sociedade e da grande mídia. Nas últimas semanas, isso não bastou. Desde às 18h do último domingo (29), Rios está algemado e faz greve de fome em frente à sede da Rede Globo, no Rio de Janeiro. Mais do que um protesto, reivindica transparência da imprensa sobre a reintegração de posse ocorrida na comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos, interior de São Paulo. A ação foi criticada por inúmeras entidades e associações de defesa de direitos humanos.

À IMPRENSA, O carioca explicou que veio a São Paulo para acompanhar a ação na comunidade, mas não imaginava que ficaria tão perturbado com o que viu, nem que isso mudaria completamente sua rotina dali em diante. "Aquilo foi um latrocínio, uma chacina cometida pelo governo do Estado de São Paulo, a mando do Naji [Nahas, que reclamou a posse do terreno]. Nunca fiquei tão assustado na minha vida", disse. Depois disso, com as imagens feitas por sua câmera, tentou chamar atenção da imprensa.

Rios afirma que houve mortes na reintegração de posse e que, além dessas notícias não serem divulgadas, tanto o Naji Nahas, como governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o banqueiro Daniel Dantas representam um risco a sociedade e deveriam ser presos imediatamente por violação dos direitos humanos. "Esse caso não é uma questão de provas. A única coisa que pode fazê-los saírem impunes, é a imprensa abafar o caso. Eu espero que algum veículo de imprensa tenha a decência de falar o que aconteceu lá. Porque até agora, o que a imprensa, o governador, e o prefeito de São José fizeram, foi ridicularizar com a nossa cara”, desabafou.

O carioca afirma que nunca foi de partido político, nem de fazer militância, mas que dessa vez não teve como ficar sem fazer nada. "Já estava sem conseguir comer e dormir em casa. Tinha que tentar algo", conta. Algemado há quase três dias em frente a emissora, Rios disse não conhecer ninguém específico na Globo, mas mesmo assim tem sido bem tratado pelos repórteres e pelo comércio local. "Alguns repórteres passam meio constrangidos. Acredito que seja um assunto na hora do almoço. É isso que eu quero, que a sociedade civil discuta isso", diz. "Eu espero que os jornalistas passem por mim e pensem 'eu estou acobertando assassinato de crianças'", disse.

Sobre sair do local, Rios é claro. "Só pretendo sair daqui quando as pessoas começarem a perder a cabeça e tomarem atitudes. O mínimo é o Governo Federal intervir no caso", explica.

Críticas

Em dois vídeos postados no youtube, Rios critica a imprensa. Em um deles, diz que é muito importante que os jornalistas se manifestem, "porque cada minuto de silêncio deles, é uma vítima que pode ter desaparecido. E eles sabem disso". Em outro, critica o fato de jornalistas o questionarem se há provas de suas denúncias. "Se algum jornalista tivesse pisado em São José, não teria coragem de exigir provas".

Assista aos vídeos:





Com informações do portal Correio do Brasil.

*Com supervisão de Ana Ignacio

Alô , presidenta: Bolsa Família foi bloqueado para flagelados do Pinheirinho


Por Eduardo Guimarães, no seu Blog

Passei o dia de ontem no Caic D. Pedro, em São José dos Campos – um centro esportivo transformado em depósito de gente. Meu trabalho – e das outras 91 pessoas (43 de São Paulo e o resto do interior) que integraram a força-tarefa do Condepe – foi o de ouvir e registrar, em formulário específico, denúncias de violência e/ou danos materiais.

Apesar do muito que tenho a relatar, antes de mais nada tenho que fazer uma denúncia urgente pois as necessidades daquelas famílias não podem esperar. Entrevistei muitas pessoas, ouvi histórias absurdamente dolorosas, denúncias que me fizeram a alma ferver, vi cenas que jamais tirarei da cabeça, mas o que me preocupa, agora, é outra coisa.

A grande maioria dos que ouvi recebem o Bolsa Família. Todavia, o benefício tem um pré-requisito para quem tem filhos em idade escolar: eles têm que estar matriculados na escola. Ocorre que muitas pessoas não têm como matricular os filhos em escola alguma porque não sabem aonde irão morar e, além disso, não têm mais endereço para informar.

Algumas das famílias que entrevistei relatam que, por conta disso, tiveram o Bolsa Família bloqueado, pois, devido a toda aquela tensão que antecedeu a reintegração de posse do terreno em que viviam, acabaram não matriculando os filhos. E agora que estão amontoadas em depósitos de gente é que não têm nem como pensar nisso.

O governo federal, portanto, precisa liberar o pagamento do benefício para aquelas famílias mesmo que não tenham matriculado os filhos.

Essa medida tem que ser tomada já. A maioria daquelas pessoas foi demitida por ser do Pinheirinho, empresários de São José dos Campos se negam a contratar quem era de lá, então o Bolsa Família é a única fonte de renda para muitas das quase duas dezenas de pessoas que ouvi ao registrar denúncias.

Aliás, também vale relatar que as famílias foram avisadas de que terão que deixar os depósitos até a semana que vem, quando quem não conseguiu casa terá que ir para galpões que ficam à beira de rodovias, longe do comércio, sem qualquer serviço público, sendo que não têm como se locomover porque a maioria tem doentes, crianças de colo, idosos, pessoas de todas as idades com necessidades especiais, sem falar que a grande demanda por imóveis gerada por centenas de famílias desabrigadas inflacionou o mercado, tornando insuficientes os 500 reais que serão dados pelo governo.

De resto, foram mais de 500 denúncias de roubo ou destruição de patrimônio – pessoas expulsas, quando voltaram para buscar suas coisas, encontraram suas casas ainda de pé, mas vazias, queimadas ou esmagadas pelos tratores. Há também quase 20 denúncias de lesões corporais e ao menos dois desaparecimentos.

Detalhe: são denúncias com nome e assinatura dos denunciantes.

Não foi por outra razão que explodiu o desespero daquela gente durante audiência na Câmara Municipal de São José dos Campos, ontem à noite, quando as denúncias foram formalizadas. Quase ocorreu uma desgraça. O guarda da portaria da Câmara impediu um grupo de rapazes do Pinheirinho (todos negros, claro) de entrarem na Casa do povo. E ainda disse que gente como eles tinha que morar debaixo da ponte mesmo. Indignados e desesperados, meia dúzia de jovens invadiu a Câmara e perseguiu o guarda. Entrei no meio da confusão, junto com outros voluntários, e conseguimos impedir um linchamento.

Por pouco não acabamos agredidos, pois aqueles jovens estavam fora de si de tão desesperados e indignados. Mas conseguimos que nos ouvissem, sobretudo quando lhes disse que se cometessem aquele erro estariam dando razão aos seus algozes.

Quem pode culpá-los? Perderam seus bens, suas casas, seus empregos, suas dignidades e, agora, algumas famílias também perderam o Bolsa… Família. Por isso, presidenta Dilma Rousseff, rogo, por tudo que é mais sagrado, que seja ágil ao liberar o benefício para as famílias do Pinheirinho, com ou sem matrícula.



sábado, 28 de janeiro de 2012

Pré-candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, secretário Andrea Matarazzo, bate boca na rua

Pré-candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, secretário Andrea Matarazzo quase saiu no tapa com manifestantes que criticavam a desocupação do bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos; tema entra de vez na sucessão

Agência Estado

Foto: ALEX FALCãO/AGÊNCIA ESTADO

O secretário da Cultura do Estado de São Paulo, Andrea Matarazzo, discutiu com manifestantes do 'Ato pró-Pinheirinho' em frente ao Museu de Arte Contemporânea (MAC-USP), cuja nova sede foi inaugurada neste sábado, 28. Houve confusão entre pessoas que defendiam o secretário e participantes do ato.

Os manifestantes protestavam contra a violência empregada durante a ação de reintegração de posse do terreno do Bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos, no interior de São Paulo, que era ocupado por cerca de 2 mil pessoas.

O tema, cada vez mais, começa a ditar o rumo da sucessão municipal em São Paulo. Leia reportagem recente do 247 sobre as reações dos candidatos ao tema:

Diego Iraheta _247 - A violenta ação da Polícia Militar em Pinheirinho incendeia este início de disputa eleitoral pela Prefeitura de São Paulo. O confronto entre PM e moradores do acampamento, que incomodou até o Palácio do Planalto, foi alvo de críticas de todas as partes dos tuiteiros. Quem acabou virando alvo de diversos ataques foi o secretário de Cultura de São Paulo, Andrea Matarazzo. Por ser o único pré-candidato tucano a defender abertamente a ação policial, ele comprou briga com militantes de PT, PSol e PSTU.

Apesar de ficar na mira dos partidos da oposição de São Paulo, Matarazzo viu a sua candidatura tomar corpo neste fim de semana. Enquanto os outros pré-candidatos tucanos Bruno Covas e Ricardo Tripoli manifestavam apoio à “Crueldade Nunca Mais”, protesto contra os maus-tratos a animais, o secretário de Cultura respondia uma a uma as queixas de internautas sobre a posição do governador Geraldo Alckmin, ao permitir que a Polícia Militar cumprisse decisão judicial. “Como o @geraldoalckmin_ eu cumpriria sempre as determinações da Justiça. É uma obrigação de qualquer governante”, tuitou.

Matarazzo rebateu até as agressões contra ele. “Bem civilizado! RT @rizzo_marcos: @AndreaMatarazzo safado, sem vergonha, assassino, covardão, bunda mole...”, ironizou. Houve até ameaças de violência física: “Reajam paulistanos. Na mesma moeda. Porrada no focinho sujo do verme abjeto do @AndreaMatarazzo. Apedrejam sua casa, seus carros!”, apelou @edugoldenberg. “Caramba, apologia ao crime só na época do ‘vamos bater nos tucanos nas urnas e nas ruas’”, retuitou o pré-candidato.

Essa postura mais incisiva – sem temer as cutucadas dos adversários políticos – alinha Matarazzo a Alckmin e o deixa benquisto perante o tucanato paulistano. É a senha para ser carimbado como candidato oficial ao Palácio dos Bandeirantes. O porta-voz da esquerda na tuitosfera, José de Abreu, já sacou o favoritismo do secretário: “Adoraria ter o Sec @AndreaMatarazzo disputando a prefeitura com o Min Haddad. E com apoio amplo e irrestrito do José Privataria Serra”.

A resposta veio à altura: “e vai ter, @Jose_de_Abreu. E será mais uma derrota do PT aqui na nossa cidade!”. O ministro da Educação, Fernando Haddad, que sai hoje do MEC para se dedicar à campanha pela Prefeitura, ainda não se manifestou publicamente sobre #Pinheirinho.

Chalita Chocado

Além de Matarazzo, Gabriel Chalita tuitou sua opinião sobre o confronto em São José dos Campos. O candidato do PMDB preferiu, contudo, manter o uniforme de bom moço – papel que vem assumindo ao longo de sua trajetória política e que, seguramente, lhe arrebanha fãs e eleitores. “O Pinheirinho mostra mais uma vez as injustiças sociais. A tristeza das famílias sem ter para onde ir”, descreveu.
Para os seguidores que não entendiam o que estava acontecendo, Chalito buscou ser didático: “Durante 8 anos, a área se transformou em um bairro. E a desocupação acabou com o sonho de muita gente. Ações como essas poderiam ser precedidas de um plano de habitação que contemplasse as famílias”, sugeriu.

Até o fim da manhã desta segunda-feira, 23, os pré-candidatos Netinho de Paula, do PCdoB, e Paulinho da Força, do PDT, não tuitaram nada sobre #Pinheirinho.

Fonte: Brasil 247

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Pinheirinho, a esquerda e a direita


 Por Mair Pena Neto


A tentativa de decretar o fim da história, com o triunfo do liberalismo e a extinção da luta de classes e do que seja esquerda e direita no campo político, vai sendo enterrada pela prática como bom e velho critério da verdade. Não é preciso se debruçar sobre conceitos e análises elaboradas. Basta olhar o que aconteceu no despejo de 1.600 famílias no Pinheirinho, em São José dos Campos, para constatar os evidentes interesses de classe e as diferentes visões políticas.

O que estava em jogo era o destino de milhares de pessoas, pobres e sem teto, que ocupavam há oito anos a área de uma fábrica falida, e os interesses do megaespeculador Naji Nahas, o dono (?) do terreno, que tem contas a prestar ao Estado e à Justiça. Uma questão social, e não de polícia, como a direita sempre a encarou. Basta ver o protagonismo da ação policial em São Paulo. Ela se dá contra estudantes, dependentes de crack, sem teto, sempre em defesa da ordem vigente, da propriedade privada e dos poderosos.

O litígio no Pinheirinho vinha se acirrando com decisões judiciais controversas e passou a ter a presença direta do governo federal, através da Secretaria Geral da Presidência, interessado numa solução negociada, que preservasse as famílias, com a construção de moradias populares no local. O governo federal estava disposto a se associar ao estadual na compra do terreno, numa ação conjunta para encerrar o impasse e evitar a violência prestes a explodir.

Mas não foi esse o entendimento do dono da área - aliás já um bairro, com casas montadas e famílias instaladas -, interessado em faturar mais com a valorização do local, que contou com os préstimos da Justiça estadual e dos governos de São José dos Campos e de São Paulo para atirar dois mil policiais, blindados e helicópteros sobre a massa, numa demonstração desnecessária de selvageria e brutalidade, que macula o estado de Direito e democrático. Justiça (apressada) e polícia (violenta), mais uma vez, se tornaram instrumento dos poderosos contra os desvalidos. E o poder público paulista amparando toda a ação é célere ao enviar os tratores logo após o despejo, demolindo os imóveis sem sequer dar tempo para que muitos retirassem os seus pertences.

A ação policial atropelou as tentativas de solução negociada em curso, que incluíam a presença no local, no momento do despejo, de um representante da Secretaria Geral da Presidência, atingido por balas de borracha. O ministro-chefe da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, tratou de sublinhar as diferenças entre governo federal e estadual: "Esse não é um método nosso, do governo federal. Nós achamos que tinha alguma coisa que poderia ser esgotada ainda no diálogo e, sobretudo, uma saída negociada e humana para as famílias, sem a necessidade daquela praça de guerra que foi armada."

O governo de São Paulo e o PSDB também deixaram clara a sua visão. Decisão judicial não se discute, por mais que não seja a de última instância, envolva vidas humanas e que ainda existam canais abertos para uma solução menos traumática. "O governo de São Paulo agiu em cumprimento de determinação do Judiciário, e a operação foi comandada diretamente pela presidência do Tribunal de Justiça paulista. Enquanto o governo federal só agride, o governo paulista e a prefeitura do município providenciam a ajuda necessária para minorar o sofrimento das famílias desalojadas", disse o PSDB em nota.

Essa distinção na maneira de lidar com conflitos sociais é fundamental para desmascarar os que tentam pregar a não existência entre esquerda e direita, como se tanto fizesse escolher entre uma e outra nos processos eleitorais. Esse é um discurso dissimulado do qual a direita se vale para tentar atrair os mal informados e a pouco politizada classe média ascendente. Mas, no fundo, ela continua a ser a antiga e conservadora tendência, que deseja reduzir o papel do Estado, entregando o país aos mercados, e está sempre pronta a tratar as questões sociais como caso de polícia.