terça-feira, 12 de junho de 2012

Globo declarou guerra de baixarias, a ponto de associar Perillo ao PT no JN


Na véspera do depoimento do governador tucano Marconi Perillo na CPI do Cachoeira, o Jornal Nacional da TV Globo conseguiu a façanha de não dizer, nem colocar legendas informando que ele é um governador do PSDB, em uma matéria de 2 minutos e 21 segundos.

Para piorar, o Jornal Nacional "caprichou" na baixaria e manipulação ao editar o noticiário. A notícia de Perillo foi emendada com a denúncia anterior, onde o JN gastou mais tempo (3 minutos e 8 segundos), abrindo fogo contra o PT com baixarias puras, utilizando-se de ilações sobre denúncias sobre o BNB de um ano atrás, e ainda misturou com episódios de 2005, já amplamente explorados no noticiário, e que nada tem a ver com o caso do ano passado.

Quem não acompanha o noticiário político, ao ver o bloco do telejornal é capaz de sair pensando que Perillo é filiado ao PT, quando o telejornal mostrou o trecho do telefonema onde Cachoeira negocia a venda da casa de Perillo e fala em levar o dinheiro no Palácio do governador, na véspera de passar a escritura.

A montagem do telejornal tem duas funções bem conhecidas dos marqueteiros políticos travestidos de jornalistas: abrir fogo contra o PT em ano eleitoral, confundir as duas noticias, diluindo o impacto da segunda, pois na hora em que a notícia de Perillo foi ao ar, já estava "amaciada" pela anterior. Daí a importância da ordem, na hora da edição.

O show de baixaria jornalística na manipulação foi uma verdadeiro escárnio, lembrando os tradicionais vexames da Globo, quando editou debates com os piores momentos de Lula, e do episódio da bolinha de papel que os internautas chamaram de Serra-Rojas.

Começou na revista Época, que a Globo quer usá-la para ocupar o lugar da desacreditada Veja


Na sexta-feira passada, a revista Época das organizações Globo abafou as denúncias sobre José Serra e Paulo Preto (a dita propina no Rodoanel), e foi buscar nos arquivos uma denúncia de um anos atrás do BNB (Banco do Nordeste).

Em julho de 2011 o BNB instaurou sindicância para apurar denúncias de funcionários, sobre empréstimos irregulares, feitos entre 2009 até o início de 2011. Além do afastamento de vários funcionários desde então, o banco agiu em conjunto com a CGU, Ministério Público e Polícia Federal para as apurações devidas, que estão em curso.

A parte verdadeira que a revista Época publicou, está no próprio relatório de auditoria interna do BNB, mas a revista avançou o sinal ao fazer acusações precipitadas e levianas, misturando doações de campanha oficiais de valor relativamente pequeno e compatível com o salário de funcionários do BNB, como se fossem associadas a desvio de conduta pessoal de terceiros.

A reportagem na Época ficou engavetada um ano, talvez pelos próprios editores admitirem que faltava substância na denúncia para haver interesse no noticiário nacional. Fraudes em bancos, praticados por um ou outro funcionário, inclusive em bancos privados, ocorrem de tempos em tempos, são descobertas, e os responsáveis são afastados e entregues à justiça.

Mas a revista resolveu publicar na sexta-feira, quando a campanha pré-eleitoral está em curso, e a revista não consegue esconder seu partidarismo demotucano quando cita a sigla PT quinze vezes na matéria, quase todas as vezes de forma forçosa e negativa.

O "Jornal Nacional" poderia ter repercutido no sábado, como costuma fazer com as matérias de revista que saem no fim de semana, mas preferiu esperar pela segunda-feira, quando seria obrigado a falar de Marconi Perillo (PSDB-GO), já que na terça o tucano deporá na CPI do Cachoeira.

Globo mentiu

E William Bonner ainda mentiu. Os poucos segundos em que falou sobre a versão do outro lado, citou uma nota oficial do BNB como se tivesse sido divulgada na noite de segunda, pouco antes do telejornal. A nota foi divulgada na sexta-feira, dia 8:


Para piorar, o JN omitiu explicações importantes da nota.

A baixaria da Globo este ano está pesada, coisa de quem está desesperado. Talvez porque jornalistas da revista Época e do próprio Jornal Nacional, também venham a ser convocados a depor na CPI do Cachoeira, uma vez que o esquema do bicheiro também usou a revista para plantar notícias do interesse da organização criminosa. Talvez porque pesquisas qualitativas indiquem que o DEM e o PSDB, braço político da emissora, estão a caminho de sofrer outra derrota nas urnas.

Eis a íntegra da nota do BNB:



Nota sobre denúncias de irregularidades em operações de crédito

A respeito de recentes notícias publicadas na imprensa sobre operações de crédito irregulares no Banco do Nordeste do Brasil, no período compreendido entre o final de 2009 ao início de 2011, esclarecemos que esta Instituição, tão logo tomou conhecimento, ainda em julho de 2011, dos primeiros indícios de irregularidades, adotou imediatamente todas as providências que a situação reclamava.

No próprio mês de julho/2011 foi instaurado o primeiro de quatro procedimentos de sindicância que se encontram em andamento, por determinação da Diretoria do Banco, com o fim de apurar todos os fatos em questão e os que foram surgindo ao longo das investigações. Estas apurações já resultaram no afastamento e demissão de vários colaboradores. Além disso, o banco passou, espontaneamente, a interagir com os órgãos de controle externo – CGU, Ministério Público e Polícia Federal - a fim de que o assunto recebesse os encaminhamentos e apurações devidos, para além daqueles levados a curso no âmbito do próprio Banco do Nordeste.

As próprias informações divulgadas pela imprensa são provenientes de relatório de auditoria interna do Banco, o que confirma a adoção de providências tempestivas pela instituição já há quase um ano.

Importante observar que nos anos de 2010 e 2011, o Banco do Nordeste contratou a quantidade de 5,8 milhões de operações de crédito, sendo que as irregularidades envolveram operações contratadas por 24 clientes deste universo. Inobstante, foram aprovados pela Diretoria, e imediatamente implementados, diversos aperfeiçoamentos nos processos de crédito, com vistas a mitigar os riscos da ocorrência de novos eventos da espécie.

Por fim, informamos que todas as decisões relacionadas à concessão de crédito no âmbito do Banco do Nordeste são tomadas, exclusivamente, por meio de critérios técnicos e de forma colegiada, existindo, para tanto, diversos comitês na estrutura de governança corporativa do Banco.




segunda-feira, 11 de junho de 2012

Para diretor da "Caros Amigos", "mídia burguesa exagera mensalão para vender"


Hamilton Octavio de Souza
Com a proximidade do julgamento do mensalão, aguardado para agosto, IMPRENSA discutiu a cobertura jornalística do caso em sua última edição de junho. Considerado por parte da mídia como o “maior escândalo político da história republicana do país” e, por outra ala, como parte de um exagero calculado para atacar o governo Lula - sendo, na visão de alguns, um mero factóide -, IMPRENSA falou com profissionais de diferentes veículos e de posições editoriais e ideológicas claramente destoantes.

Diretor de redação da revista Caros Amigos, Hamilton Octavio de Souza explica como a publicação tem abordado o assunto - “Há vários mensalões e não acontece nada com nenhum deles” -, ataca a chamada grande imprensa, que, segundo ele, amplifica a relevância dos fatos para ter mais audiência, e defende que personagens centrais do episódio como José Dirceu e José Genoíno, são “meros bagrinhos da história”.

IMPRENSA - Parte da mídia defende que o mensalão foi o maior escândalo da história política do país. O que acha disso?
HAMILTON OCTAVIO DE SOUZA - A maior parte da imprensa burguesa trabalha tentando vender o máximo de escândalos, porque depende disto para garantir a audiência e aumentar seu lucro com venda em banca. O grande crime no Brasil, desde o Brasil Colônia, é que as elites e aqueles que têm acesso à máquina pública e o empresariado, principalmente, que se apropria dos recursos públicos. No fundo, esta imprensa nunca quer levar isso às últimas consequências porque isso pegaria gente aliada dela. Você acha que eles querem prender os ministros do Supremo? Ou os grandes empresários desse país, envolvidos em todos esses escândalos? Enquanto isso, você tem um monte de ladrão de galinha na cadeia...

Como vocês têm trabalhado o caso mensalão na Caros Amigos? Vocês não consideram um episódio de nítida corrupção alastrada na esfera do Estado?
Sim, não só ele, mas todos eles. Teve o mensalão envolvendo o [ex-governador de Minas Gerais] Eduardo Azeredo, do PSDB. Teve o outro mensalão, que envolve o esquema do Cachoeira, que tem o pessoal do DEM, do PSDB, do PT. Há vários mensalões, e não acontece nada com nenhum deles.

A seu ver, a cúpula do PT sofreu uma condenação a priori por parte da imprensa?
Não só nesse caso, como em outros. A imprensa faz esse papel de pré-julgar ou de tratar de forma emocional e moralista algo que faz parte do sistema. Ou seja, você tem um sistema que patrocina a corrupção o tempo todo, em 400, 500 municípios do país, e isso faz parte do sistema eleitoral, das licitações públicas. Se você quiser realmente acabar com o sistema de corrupção, você vai ter que acabar com o sistema. Enquanto continuar existindo, qualquer um que continuar no governo, vai estar envolvido.

Parte da imprensa usa o termo PIG. Como você vê isso?
Não costumo falar de PIG, porque é simples demais. Eu costumo trabalhar do conceito de imprensa de classe, que pertence à classe dominante, que está a serviço do capital, que inclui toda a imprensa que defende os interesses do capital nacional ou estrangeiro. Toda a grande imprensa brasileira defende o Consenso de Washington, eles têm o mesmo programa. Esta imprensa não pode dizer que não participou do golpe de 1964, por exemplo. Toda vez que se tenta avançar para uma democracia mais ampla no Brasil, em que amplos setores da sociedade possam realmente ter direitos assegurados, essa mídia, que é da burguesia, normalmente adota posturas no sentido de golpear o processo de avanço democrático. Ela é golpista também no sentido de ir contra os direitos dos trabalhadores.

A seu ver, a cúpula do PT foi perseguida injustamente no caso mensalão?
Eles, do PT, cometeram o erro de entrar num esquema que todos os outros partidos já faziam parte. Eles transformaram o PT num partido igual aos outros.

No caso do mensalão, não há uma diferença básica, no sentido de se tratar de uma corrupção institucionalizada no seio do Estado?
Todos os partidos que compõem o governo fazem isso. Tinha um acordo no governo anterior do Alckmin em que ele fez um acordo com vários deputados da Assembleia de não constituir nenhuma CEI - Comissão Especial de Inquérito. Aí, eu não sei se o pagamento é mensal, se é parcelado, mas em todos esses governos têm acertos de toma lá da cá, de favorecimentos, de composição em troca de dinheiro e cargos. A diferença do mensalão é que teria uma mesada em função de determinadas votações. Não vejo tanta diferença. Eu considero nomes como [José] Genoíno e [José]Dirceu os bagrinhos na história, espécies de corretores que entraram no esquema, que não são os grandes favorecidos do esquema de corrupção. São bagrinhos, porque não levaram o grosso da grana.

Portal Imprensa


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Marta virou a queridinha


Ilustração deste blog
Por Paulo Moreira Leite


Confesso que sempre achei uma baixaria quando chamavam Marta Suplicy de Martaxa.

Havia um preconceito óbvio, de teor sexista e reacionário, quando a frase “Relaxa e goza” foi transformada numa espécie de slogan permanente da então ministra do Turismo.

Também era uma indignidade reparar (quem esqueceu?) que as aplicações de botox, o figurino, a maquiagem e a tinta nos cabelos sempre foram assuntos prioritários em relação ao legado positivo de Marta em São Paulo, como o bilhete único, os Céus, e o Renda Mínima, embrião do Bolsa Família.

Mas confesso que a campanha atual de revalorização de Marta Suplicy é igualmente curiosa. Adversários que jamais a respeitaram e sempre retrataram sua herança de modo injusto e tendencioso agora tentam exibir a ex-prefeita como vítima de Lula.

Por que isso?

Porque se espera que Marta Suplicy auxilie a vencer o candidato escolhido por Lula. Querem que a ex-prefeita trabalhe para o adversário.

Essa é a questão que alimenta tanta hipocrisia.

Muitos adversários de Lula saíram humilhados da campanha de 2010, quando diziam que ele havia lançado um poste. Tentam, agora, uma revanche, capaz de lhes dar um pouco de oxigênio e voltar a fazer planos.

O próprio Lula tem boa parte da culpa, pois foi o primeiro a dizer que iria fazer de São Paulo sua prioridade, quebrando uma longa hegemonia que o PSDB construiu na cidade e também no Estado.
Não conseguiu unir o partido mas estimulou a união dos adversários.

Apostava-se no PT que Serra estaria fora da disputa, o que transformaria a eleição num concurso de novatos – o que seria favorável a Haddad. Mas o quadro mudou e não há como prever como o eleitor vai reagir a isso.

A possibilidade de derrotar um candidato com lastro presidencial tornou-se a prioridade número 1 da oposição em 2012.

Será a forma de tentar abrir caminho para 2014, até agora uma estrada íngrime, em que os presidenciáveis se mostram encolhidos diante da popularidade de Dilma.

O plano é transformar Marta Suplicy em cabo eleitoral de Serra, nem que seja pelo silêncio.
Essa é a discussão.


Augusto Nunes e a “honra” do PSDB

Por Altamiro Borges, no seu Blog

Augusto Nunes, o blogueiro da Veja que ama FHC e detesta Lula, não gostou nadinha do anúncio nesta semana do apoio do PR à candidatura de José Serra para a prefeitura de São Paulo. Na sua curiosa lógica, a aliança do tucano com a sigla de Valdemar Costa Neto atinge a “honra” do PSDB. Indignado, ele soltou os cachorros – não estou me referindo ao outro colunista da Veja:



“O PR é mais que uma quadrilha expulsa do Ministério dos Transportes graças às denúncias da imprensa independente (sic). É o atual codinome do bando que, disfarçado de PL, ajudou a fundar o mensalão em meados de 2002”. Augusto Nunes, que não escondeu o seu apoio a José Serra nas eleições presidenciais de 2010, parece preocupado com os reflexos negativos desta nova aliança.


"Em troca de 1 minuto e meio na TV"

“Em troca de 1 minuto e meio na TV, o PSDB andará de mãos dadas com o senador Alfredo Nascimento, despejado do Ministério dos Transportes por corrupção, fingir que o deputado Tiririca é intelectual desde bebê e, pior, amancebar-se com Valdemar Costa Neto, vulgo Boy. Hoje deputado federal e secretário-geral do PR, Boy é um prontuário ambulante de alta periculosidade”.

Para o jornalista da Veja, a aliança de Serra com o PR pode prejudicar o próprio julgamento do mensalão. Serra tenderia a retificar o discurso de campanha. “Costa estará no banco dos réus, e não convém melindrar um parceiro de palanque. Por 1 minuto e meio no horário eleitoral,  os tucanos paulistas se proibiram de transformar em trunfo político o mais vistoso desfile de larápios já transmitido ao vivo pela TV”.

Medo dos reflexos eleitorais

Daí a sua magoada conclusão: “Para o PSDB paulista, a honra agora vale menos que 90 segundos na TV”. Estranho! Por que o indignado blogueiro da Veja nunca se indignou com a presença do PR em vários governos tucanos? Por que Augusto Nunes nunca criticou as alianças do PSDB com o DEM, bem menos ético do que o PR? O medo é da aliança ou dos reflexos eleitorais em outubro?


Por que a imprensa potiguar ignora as denúncias de caixa 2 do Democratas?


Governadora Roralba (Dem) e o Senador Agripino (DEM)
por Luis Fausto, no Portal Nominuto.com

Faço a pergunta e saio do ar por dois ou três dias, dando tempo - de sobra - para que todos pensem sobre o assunto constrangedor.

A mesma pergunta, por sinal, foi feita ontem pelo blogueiro mossoroense Carlos Santos - um dos poucos jornalistas do Rio Grande do Norte a não fechar os olhos para a verdade que dói e constrange entre os poderosos potiguares.

A denúncia feita há alguns dias por Daniel Dantas Lemos, em seu blog norte-rio-grandense, chegou a algumas mídias nacionais mas não teve qualquer eco nas mídias locais. Pelo contrário: foi quase inteiramente descartada, escondida.

Por quê?

Respondam se puderem.

Mas antes leiam abaixo o que contou em detalhes o conterrâneo do Rio Grande do Norte e chegou ontem a um outro blog nacional, o Viomundo:

As eleições de 2006 foram realizadas sob a égide do controle das contas de campanha e dos seus gastos. No ano anterior, o escândalo do chamado mensalão expôs as vísceras dos vícios e indícios de crimes de financiamento de campanha em cena no país.

Era de se esperar que os partidos tomassem mais cuidado naquela eleição com as práticas vedadas pela legislação eleitoral. No Rio Grande do Norte (RN), o PFL, atualmente DEM, não teve esse cuidado. É o que se depreende dos 42 áudios de interceptações telefônicas feitas pelo Ministério Público Estadual a que o blog teve acesso e publicou entre a segunda-feira (21) e o domingo (27).

No âmbito de uma investigação do Ministério Público estadual, o telefone celular de Francisco Galbi Saldanha, atualmente secretário-adjunto da Casa Civil do governo Rosalba Ciarlini (DEM), foi grampeado. E trouxe à luz conversas muito elucidativas, principalmente entre Galbi e Carlos Augusto Rosado, marido da atual governadora e então candidata ao Senado Federal.

Rosalba foi eleita em 2006, mas os telefonemas mostram esquemas de compra de apoio de políticos, compra de votos, fraude em prestação de contas com uso de notas fiscais frias e uma complexa rede de Caixa 2.

Por envolver políticos com o conhecido foro especial (o senador José Agripino, a então senadora Rosalba Ciarlini e o deputado federal Betinho Rosado), a investigação foi encaminhada pelo Ministério Público Estadual e também pelo Ministério Público eleitoral para a Procuradoria Geral da República (PGR), em janeiro de 2009. A PGR não conseguiu ainda esclarecer o que foi feito da investigação desde então.

Muitas conversas explicitam, por exemplo, o uso de dinheiro vivo para pagamento de gastos de campanha – enquanto a lei exigia o uso de cheques vinculados às contas.

Francisco Galbi Saldanha trabalha com Carlos Augusto Rosado desde os tempos em que o atual primeiro-cavalheiro era presidente da Assembleia Legislativa (1981-1983).

Até indícios do envolvimento com a máfia dos sanguessugas aparecem nessas ligações. Albert Nobrega, atual secretário de administração do estado, pede ajuda imediatamente a Galbi por causa de umas ambulâncias compradas pela prefeitura de Mossoró à época da máfia dos sanguessugas. Em 2006, Nobrega era presidente da Comissão de Licitação da prefeitura de Mossoró e é ele que diz que, sem ajuda de Galbi, “vai lascar Rosalba”, já senadora eleita.

Ouve-se também a voz de José Agripino Maia negociando com Galbi Saldanha o repasse de uma verba de R$ 60 mil (em três parcelas de R$ 20 mil) ao ex-vereador natalense Salatiel de Souza.

Carlos Augusto também orienta Galbi a repassar dinheiro para o ex-vereador de Natal, Renato Dantas (R$ 50 mil) e para o atual presidente da Câmara Municipal de Natal, Edivan Martins (R$ 25 mil). Tudo em troca do apoio dos políticos à candidatura de Rosalba ao Senado e Garibaldi Filho ao governo do estado.

Outro grave crime foi confessado nos áudios: Carlos Augusto Rosado informou à tesoureira da campanha do irmão que iria cair R$ 100 mil na conta de campanha de Betinho. Mas o dinheiro era de Rosalba. Depois, Carlos e Galbi tentam articular uma forma de, com uso de notas frias, justificar a retirada do dinheiro da conta de Betinho. Utilizam-se, inclusive, de notas frias do posto de combustível Leste-Oeste, de propriedade do irmão caçula de Carlos Augusto. O deputado federal Betinho Rosado é irmão de Carlos Augusto Rosado e atualmente ocupa o cargo de secretário de Agricultura.