terça-feira, 22 de maio de 2012

Globo contrata Mozart e fortalece laços com Aécio


Minas 247 - As Organizações Globo acabam de fazer um movimento que interessa, em tudo, à possível candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à presidência da República em 2014. Depois de apoiar a produção e investir na divulgação do documentário “Tancredo, a Travessia” e de produzir uma minissérie própria na qual muita gente viu uma propaganda disfarçada de Aécio, chamada O Brado Retumbante, a Globo agora contratou para o seu time de primeiro escalão de executivos o assessor Mozart Vianna.

Ele tem 20 anos de experiência como secretário da Mesa da Câmara dos Deputados, mas passou os últimos 14 meses trabalhando numa sala do 11º andar do prédio mais alto do Senado brasileiro. Lá, era o principal assessor de Aécio Neves. Agora, na Globo, Mozart será o gerente de relações institucionais das Organizações Globo. Cuidará das negociações do maior grupo de comunicações do país com o poder público.

É mais um sinal positivo que a empresa da família Marinho dá para o neto de Tancredo Neves em sua caminhada para chegar ao Palácio do Planalto. Em novembro do ano passado, o caríssimo intervalo comercial do Jornal Nacional foi usado para divulgar o documentário “Tancredo, a Travessia”. A película, dirigida pelo cineasta Silvio Tedler, responsável por filmes políticos como “Jango”, foi exibido nos cinemas com o apoio da Globo Filmes. No comercial do JN, Aécio apareceu fazendo referência a Tancredo, chamando-o de “meu avô”.

As relações do ex-governador de Minas e a Vênus Platinada ganharam ainda mais interesse depois da apresentação da minissérie Brado Retumbante, em janeiro passado. Escrita por Euclydes Marinho, Nelsonn Motta, Guilherme Fiuza e Denise Bandeira, ela foi acusada por muita gente de estar fazendo campanha subliminar para o senador mineiro. O protagonista de O Brado era o presidente da República Paulo Ventura, que lutava, a seu modo, contra os vícios de Brasília, principalmente a corrupção.
A ligação com Aécio vinha sobretudo de três fatores: a idade de Ventura, mais novo para os padrões de um presidente - assim como o presidenciável do PSDB -; o fato de o protagonista ser um mulherengo convicto; e a semelhança física entre o ator Domingos Montagner - que fez o papel do presidente Paulo Ventura - e o político mineiro. Na época, Aécio chegou a reconhecer a semelhança com o personagem, mas apenas física. Para ele, tudo foi uma grande coincidência. Em entrevista ao 247, o jornalista Guilheme Fiuza também negou qualquer ligação entre Ventura e Neves.

Não se discute, porém, a competência de Mozart Vianna. Poucas pessoas conhecem tão bem quanto ele as filigranas do Congresso Nacional. Há duas décadas ele trabalhou como secretário da Mesa da Câmara dos Deputados. No tempo, atendendo a demanda dos mais de 500 deputados, tornou-se um especialista em regimento. Tão respeitado que Aécio o levou para trabalhar em seu gabinete no início do ano passado. O convite e o aceite despertaram certa inveja em alguns parlamantares - meses antes, por exemplo, Mozart declinara de um convite semelhante feito pelo então deputado federal Michel Temer (PMDB-SP).

Agora, ele, que é mineiro de Corinto, no coração de Minas Gerais, tenta mais um passo na carreira, em cargo importante na poderosa Globo.

Curitiba: Fracassa o PMDB Tucano



Vão longe, bem longe aqueles tempos em que a imprensa circuitão mandava em tudo. Era dela a pauta e a idéia reinante. Hoje, para o bem da democracia, não é mais assim. A internet é quem pauta as tvs e os jornais, as redes sociais e os emails colocaram todos numa mesma aldeia de conexão. Em outras palavras, "freedom, at last!", como disse Martin Luther King, Jr.

Falei isso pra dizer que nesta manhã, ao conferir as atualizações das redes sociais, percebi que a tal reunião de vendilhança do PMDB da capital do Paraná, foi um estrondoso fracasso. Nesta reunião deveriam estar presentes alguns daqueles que estiveram 8 anos ao lado de Requião no Governo do Estado, mas, quando o tucano Richa entrou, imediatamente pularam para o lado dele, sem a menor cerimônia. Uma vergonha descomunal, na visão deste insosso escriba. Ninguém é obrigado a se manter estático a vida toda, mas a involução de determinados setores da política revolve o estômago.

Este setor do PMDB de Curitiba quer, porque quer, apoiar o atual prefeito Ducci (que é apoiado pelo tucano Richa) à reeleição. É feio em primeiro lugar, porque fizeram oposição a ele durante tanto tempo (incluindo quando Ducci era vice), e depois, porque a candidatura de Ducci não decola nem com reza braba. Ora, basta olhar a cidade como está, basta falar com as pessoas nas ruas. Eu, pessoalmente, não conheço um cristão que afirme que votará em Ducci.

Então o que querem esses deputados? Querem apenas posar na foto para que o governador tucano os veja, e contente, lhes retribua o favor com algum bom cargo, alguma boa verba. Na verdade, não ligam muito se Ducci vai perder. Cobram os honorários pelos serviços prestados e pronto. Essas coisas que você cidadão comum, está cansado de saber que tem no mundo político.

Mas o povo, em toda sua simplicidade, não chegou ainda a esse nível de burrice. Ele não liga quando alguém modifica sua ideologia. Mas liga quando percebe que fulano faz isso meramente para se eleger. É o mesmo caso do neotucano Gustavo Fruet (momentaneamente no PDT). Fruet bateu em Lula durante 8 anos, chamando de corrupto. Agora, seduzido por Paulo Bernardo, ele é acolhido no ninho petista, e esquece tudo o que falou. E não, Fruet não criticou Lula no século passado e muita coisa passou debaixo dessa ponte. Fruet ripou Lula até poucos meses atrás e agora tem dificuldade de dizer para o povo como tem a coragem de posar na foto ao lado do PT.  Bem entendido, ao lado do PT, não de Lula. O ex-presidente já disse que não pisará no mesmo palanque que seu antigo (não tão antigo) algoz.

"Não passarão!", foram as palavras tuitadas e feicebucadas de ontem pra hoje, sobre a vendilhança no PMDB de Curitiba. E não passaram mesmo. Com medo da reação popular e do ostracismo político, resolveram conter os ímpetos da mudança de lado. Antes, quando só a imprensa mandava (imprensa ela, dominantemente tucana), podiam fazer o que queriam, incólumes. Agora, por saberem que estão na mira direta do povo e de seu voto, a ordem é não soltar a franga assim, tão descaradamente.

Mas político vendido, é político vendido. As urnas responderão adequadamente, com certeza.


A imprensa nos tempos de Tarso de Castro



por Ricardo Kotscho, no Balaio do kotscho

Nada acontece por acaso. No auge das discussões sobre o papel de profissionais e veículos de mídia nas atividades do contraventor Carlinhos Cachoeira, só agora caiu nas minhas mãos, por uma especial gentileza do autor, o jornalista Tom Cardoso, um livro lançado em 2005 pela editora Planeta, que nos ajuda a entender os rumos da imprensa brasileira.

Tom me ligou dias atrás para fazer uma entrevista sobre o jogador Sócrates e, ao final da conversa, me perguntou se eu já tinha lido seu livro sobre Tarso de Castro, um dos maiores jornalistas com quem já trabalhei. Respondi-lhe que não e, no dia seguinte, o livro já estava em casa sobre a pilha de obras de (ou sobre) amigos que ainda não consegui ler.

O título é tão grande quanto o personagem: 75 Kg de Músculos e Fúria: Tarso de Castro _ a vida de um dos mais polêmicos jornalistas brasileiros. 

Levei-o comigo para São Sebastião neste final de semana e não consegui parar de ler enquanto não chegasse à última página. Por isso, passei dois dias sem atualizar o blog. De vez em quando, a gente precisa parar de escrever para poder ler um pouquinho...

Mais do que traçar um alentado perfil com as rocambolescas venturas e desventuras de Tarso, que morreu aos 49 anos, em 1991, o livro-reportagem de Tom Cardoso nos leva para um agradável e pedagógico passeio pela imprensa brasileira e seus personagens das décadas de 60, 70 e 80 do século passado.

Naquela época não bastava saber escrever e ser bem informado para ser jornalista. Era preciso também ter coragem, colocar em risco a própria vida para contar o que estava acontecendo. Os que hoje tanto falam em liberdade de imprensa, embora alguns deles tenham colaborado para o golpe militar de 1964, deveriam ler este livro para ver o que era bom para a tosse, o que era censura.

Tarso levou tudo a extremos: seu engajamento político contra a ditadura, brizolista até a alma, suas paixões enlouquecidas pelas mais belas mulheres da época, solteiras ou casadas, de Leila Diniz a Candice Bergen, as noitadas sem fim com os amigos, a ousadia para criar confusões e novas publicações, cada vez que uma delas fechava as portas.

Criado na melhor escola de Samuel Wainer, na Última Hora de Porto Alegre, depois de começar a carreira aos 11 anos no jornal do pai, O Nacional, de Passo Fundo, o gaúcho Tarso de Castro veio bem jovem para o Rio. Em poucas semanas, tornou-se o mais carioca dos cariocas, mestre na arte do bem viver sem pensar no dia de amanhã. Não apenas cobria, mas participava dos fatos ao lado de seus protagonistas, contemporâneo de grandes artistas e políticos nacionais.

A primeira vez que encontrei a figura foi no apartamento do hotel onde Leonel Brizola passou seu último dia no exílio, na Nova York de 1979, às vésperas da sua volta para o Brasil. E quem acompanhava a distinta figura do jornalista que estava lá como amigo do ex-governador?

Pois é, ninguém mais, ninguém menos do que Candice Bergen, uma das grandes estrelas de Hollywood na época, cheia de amor para dar. Não era cascata dele, como muitos amigos mangavam. Ficção e realidade por vezes se confundiam na vida do jornalista.

Tarso já havia ficado famoso como criador e editor do semanário de humor O Pasquim, a mais duradoura e bem sucedida publicação alternativa dos tempos da censura, uma das muitas que ele colocou para circular.

No ano seguinte, nos reencontramos na redação da Folha de S. Paulo _ ele editor do Folhetim e eu na reportagem do jornal _ e fizemos boas parcerias juntos. Era um tempo em que ninguém ligava muito para prazos ou custos _ o importante era descobrir e contar uma boa história que ninguém contou antes, surpreender o leitor. Quem bancava tudo e nos dava plena liberdade para criar e escrever era Octavio Frias de Oliveira, o dono do jornal.

Foi assim também em 1984, quando Tarso já era o principal colunista da Folha. Viajamos juntos o país de ponta a ponta, na cobertura da Campanha das Diretas. Tarso vivia a vida tão intensamente, com tanta pressa, que parecia saber não ter muito tempo pela frente.
"Prefiro viver pela metade por uma garrafa de uísque inteira, do que passar a vida inteira bebendo pela metade", costumava dizer, quando os amigos o alertavam que estava bebendo muito, começando pelo café da manhã, sem hora para parar. E assim foi.

A última lembrança que tenho do amigo foi a sua entrada triunfal no "sujinho" ao lado da Folha, o bar do Mané. José Trajano, eu e outros maus elementos do jornal resolvemos dar uma passadinha ali antes de fazer uma visita ao Tarso na clínica onde ele estava internado. Só que o gaudério deu mais uma das suas escapadas, e foi mais rápido no gatilho: chegou antes ao bar do que nós à clínica.

A nova geração, que não ouviu falar de Tarso nas faculdades, não frequenta mais os "sujinhos" ao lado da redação, mas também não fala com seus chefes e patrões de igual para igual, defendendo até o fim suas ideias e seus princípios, sem medo de perder o emprego.

Em tempos de pensamento único e paus mandados, das fitas e gravações clandestinas oferecidas de bandeja para o "jornalismo investigativo", não fosse pela bebida, Tarso teria morrido de desgosto. Sem querer ser nostálgico, a verdade é que não existe mais lugar para jornalistas como Tarso de Castro, jornalistas com redação própria, como se dizia...


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Circo dos horrores na TV


por Leila Cordeiro, no Direto da Redação

É cada vez maior o número de telespectadores,  e até de profissionais de TV,  abismados com tantas baixarias, desmandos e irresponsabilidades observados em alguns programas da televisão aberta que nos fazem pensar que qualquer código de ética que pudesse existir já foi para o espaço há muito tempo.
Em julho de 2010, a veterana e premiada atriz Laura Cardoso foi alvo de uma das maiores humilhações de sua vida sem nenhuma explicação. Laura saía do lançamento de um livro num shopping em São Paulo,  quando uma pretensa humorista do programa Pânico a abordou pedindo uma “entrevista”.

Muito educada e simpática,  a atriz aceitou conversar, mas jornalistas que estavam próximos a ela correram para avisá-la sobre as más intenções da “falsa repórter” que queria, na verdade, “arrotar” em seu rosto. Boquiaberta, Laura ficou perplexa com aquele absurdo e perguntou a uma amiga, quase sem acreditar naquilo:

-Mas o que foi que eu fiz para ela querer fazer isso comigo?

Quanta inocência da Laura, não? Ela que na época tinha 82 anos,  e mais de 50 como respeitada atriz, disse depois que jamais poderia imaginar que num outro canal do mesmo veículo onde trabalhou em produções tão bem feitas e memoráveis, poderia haver algo tão repugnante no ar como essa coisa de “arrotar” sem mais nem menos no rosto das pessoas.

Diante disso, a tal “mulher arroto” acabou “aposentada” pelo próprio Pânico que,  apesar da irreverência  muitas vezes fora de controle, decidiu tirar  a inconveniente personagem do ar.  E nunca mais se soube dessa moça, que se prestou a esse papelão.

Por esses dias recebi pela internet um texto de Wagner Moura, também queixando-se de ter sido vítima de uma brincadeira de muito mau gosto do mesmo Pânico, cujos integrantes o cercaram para dar uma entrevista no meio da rua, na saída de uma premiação em São Paulo,  e esfregaram gel em sua cabeça. Wagner demonstrou toda sua indignação ao escrever:

“Entrei num taxi. No caminho pra casa , eu pensava no fundo do poço em que chegamos. Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador? Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos; pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores. Estamos nos bestializando, nos idiotizando. O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice. Amigos, a mediocridade é amiga da barbárie! E a coisa tá feia. 

O caso aconteceu em 2008 e alguns críticos estão especulando que ele poderia ter voltado à tona, pelas mãos de concorrentes, para desestabilizar a audiência do Pânico que mudou da Rede TV para a Bandeirantes, alavancando seus números no domingo. E é aí que mora o problema. Como um programa desse nível consegue ganhar tantos pontos  na preferência do público?

O lixo está aí, indiscutível, mas não podemos deixar de analisar que se ele está com boa audiência é que tem gente assistindo e pelo visto, muita gente. Será que é disso que o povão mais gosta,  a ridicularização do ser humano, o escracho, a bobagem explícita?

Essa é uma pergunta que deixo para os sociólogos de plantão: como um programa do nível desse Pânico, fazendo o que faz há tantos anos, consegue ser aplaudido por alguns setores da mídia e atrair um certo tipo de  público que acha tudo muito engraçado e criativo?

Talvez, se lá em 2008, o ator Wagner Moura, premiado pela APCA, por sua atuação como Capitão Nascimento, em Tropa de Elite, tivesse levado a ficção a sério, não teria sido vítima de falsos repórteres cujo foco não é a a informação, mas a ridicularização e  o constrangimento do ser humano...


Record desmente texto da revista "Veja" sobre supostos prejuízos da emissora



Imagem: Brasil 247
No último domingo (20/5), a Rede Record desmentiu em comunicado oficial  uma nota da coluna "Radar on-line", publicada na Veja desta semana. O texto afirma que a emissora enfrentou prejuízos de R$ 60 milhões em 2011 e que em 2012 estes chegariam a R$ 100 milhões. Segundo a matéria "Um senhor vermelho", que pode ser lida aqui, a previsão do déficit veio da diretoria da emissora. Porém, a Record alega que a revista não citou "qualquer fonte confiável".


O comunicado alega também que a nota da revista visa "retaliar a emissora" "pela divulgação das investigações da Polícia Federal, do Ministério Público, da Justiça e do Congresso Nacional, sobre as supostas ligações de um dos seus  principais jornalistas com o contraventor Carlos Cachoeira".

Números
No texto, a emissora afirma que seu faturamento cresceu 25% em 2011. E que segundo o Projeto Inter-Meios, coordenado pelo jornal Meio & Mensagem, a verba publicitária destinada a televisão aberta no Brasil aumentou 9% no mesmo período.

Para a emissora, prever um prejuízo quando o ano está no primeiro semestre "revela a evidente falta de fundamento da suposta notícia e a intenção de perseguir, prejudicar e causar danos à emissora, clientes e telespectadores", diz o comunicado.

IMPRENSA procurou a assessoria da Editora Abril, responsável por
Veja, mas até o momento não houve posicionamento sobre o assunto.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves

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