segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O jornalismo, a corrupção e o PT


por Edmilson Lopes Júnior de Natal - Terra Magazine

Uma narrativa recorrente em certos ambientes, e reproduzida à exaustão em não poucos veículos de comunicação, aponta a ascensão do Partido dos Trabalhadores a cargos de mando no país como o ponto inicial da corrupção no país. Tudo se passa como se tivéssemos vivido, até 2002, em uma ilha de administradores probos e políticos campeões da moralidade pública.

O estabelecimento de uma relação direta entre a ascensão do PT a postos de governos e a entronização da corrupção como pauta primeira da preocupação nacional é mais do que uma embromação histórica. E é também algo mais do que mera luta política, como apreendem, equivocadamente, os petistas. No curto prazo, é a única forma de garantir visibilidade pública para quem já não tem como garanti-la através da elaboração de alternativas políticas e econômicas para o país. Mas, e aí tocamos no que é fundamental: o apelo moralista contra a corrupção supostamente desencadeada pelo petismo (antes, por suposto, essa era uma prática inexistente no país) é a trilha mais fácil a ser seguida por setores jornalísticos que perderam a condição de mediadores culturais privilegiados no país.

O jornal Folha de São Paulo é a melhor expressão dessa derrocada cultural da imprensa brasileira. Antes, ponto de apoio para um jornalismo que expressava uma reflexão criativa e criativa da vida política nacional, o jornal paulista foi se deixando encurralar nesse triste e patético lugar social de um jornalismo que, sob a decoração modernosa, não se diferencia muito das “críticas” moralistas proferidas em programas popularescos de TV. Não fossem as referências esparsas a um ou outro pensador legitimado no mundo acadêmico, que distância existiria entre alguns dos textos produzidos pelos colunistas do jornal e os discursos do Pastor Malafaia?

Ora, não é o petismo o responsável pela sua ascensão da corrupção ao topo da pauta do jornalismo pátrio. Uma de suas causas está na própria configuração atual da atividade política. Dado que a midiatização da atividade é a via quase única para o resgate de alguma legitimidade, os políticos se tornaram prisioneiros da “imprensa”. Tanto é assim que não poucos dentre eles atuam e se pensam como celebridades. Que todos os principais legislativos tenham criado as suas próprias emissoras de rádio e tv, essa outra expressão da irresistível força da visibilidade midiática sobre a atividade política.

Paradoxalmente, maior visibilidade e pouca diferenciação no que diz respeito a propostas substantivas contribuíram para que a busca da distinção tivesse como referentes quase exclusivos a moral e a estética. Some-se a isso o cansaço geral para com as tarefas necessárias para o fermento da esfera pública e o que emerge? Uma forma de se “fazer política” (e jornalismo diário) que tem na denúncia do governo de plantão a sua única razão de ser.

Se um ator com veleidades de patrocinador de reformas sociais e econômicas ocupa um posto de governo, aí então estão dadas as condições para o cerco moralista ao “poder”. Não há muita novidade nisso, é bom que se frise. Repete-se no Brasil nestes últimos anos, com todas as tinturas de mais uma farsa tropical, o que ocorreu na Espanha na segunda metade da década de 1980. Quando da primeira ascensão do PSOE ao governo.
Naquele tempo, determinado jornal espanhol conseguiu pespegar no partido do então Primeiro-Ministro Felipe Gonzalez a marca da corrupção. Com isso, pavimentou o caminho para a ascensão do direitista PP. Lá, como cá, a direita encontrou no moralismo a forma de aparecer na vida política. Que setores supostamente críticos tenham incorporado essa pauta nestas plagas, eis aí uma confirmação da assertiva definitiva de Lévi-Strauss: “os trópicos são menos exóticos do que démodés”.

Exemplar do que apontei mais acima é uma coluna de autoria do jornalista Fernando Barros e Silva, publicada no sábado passado no jornal Folha de São Paulo. Encimada pelo título “Toninho do PT, 10 anos depois”, a coluna consegue ser surpreendente, mas não exatamente pela argúcia analítica.

 Poucas vezes se leu em um grande jornal algo tão irresponsável e leviano. Tendo o assassinato de Toninho, então Prefeito de Campinas pelo PT, em 2001, como mote do texto, o jornalista lança insinuações sobre quem seria o verdadeiro responsável pela morte do saudoso político campineiro. E conclui atirando no seu alvo preferido: “Não sabemos ainda a resposta. Mas sabemos quem matou a honestidade quando chegou no poder em Campinas, em Santo André, no país”.

Parafraseemos o colunista. Qual o futuro de um jornalismo que, desacreditado no seu papel de mediador cultural, vai se reduzindo à condição de pregador moralista? Também não sabemos a resposta. Mas sabemos quem matou a objetividade analítica no jornalismo paulista.

Os Marinhos sócios de Kadafi

Fonte: Blog os Amigos do Presidente Lula



João Roberto Marinho, o falecido patriarca, Roberto Irineu Marinho e José Roberto Marinho: sócios de Kadafi no Banco ABC-Roma


Uma bomba, como aquelas da OTAN jogadas nas cabeças dos líbios, acaba de atingir em cheio o QG da TV Globo.

É a notícia de que Roberto Marinho e seus filhos foram sócios de Muamar Kadafi nos anos 80/90, no banco ABC-ROMA (RO-MA são iniciais de Roberto Marinho, e ABC as iniciais do Arab Banking Corporation).


O Arab Banking Corporation tinha e tem o Banco Central da Líbia (estatal, sob comando do governo Kadafi) como principal acionista desde sua criação em 1980.


Tradução do texto marcado: CBL (Banco Central da Líbia) tem sido principal acionista do Banco (ABC) desde sua criação em 1980.

A sociedade entre os Marinho e o governo de Kadafi foi criada em 1989, como expansão dos negócios financeiros da família Marinho, que já detinha a Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários ROMA desde os anos 70, e durou até o ano de 1997.

Curioso observar que a sociedade Marinho-Kadafi começou logo após o governo Líbio ser acusado de envolvimento no atentado terrorista que derrubou um avião na Escócia (dezembro/1988). Durante todo o tempo em que durou a sociedade com os donos da TV Globo, a Líbia foi alvo de sanções da ONU, embargos e congelamento de dinheiro no exterior. Kadafi só começou a se reaproximar dos países da Europa Ocidental em 1999 e só reconciliou com a Europa e EUA em 2004.

domingo, 11 de setembro de 2011

Se o cavalo do golpe passar selado, a direita monta

por Eduardo Guimarães - Blog Cidadania



Ninguém que tenha cinqüenta anos ou mais e for sincero, seja de direita ou de esquerda, dirá que inexiste a possibilidade de a direita brasileira desfechar outro golpe de Estado. Poderia até ser um golpe “institucional” como o que houve recentemente em Honduras, que misturou elementos do golpismo latino-americano tradicional com um verniz “legal”, mas a direita latina foi, é e duvido de que um dia deixe de ser golpista por excelência.

Não é por outra razão que são quase sempre jovens os que vêm discordando com maior veemência da premissa de que esses movimentos moralistas que ganharam força no Brasil há alguns meses encerram excelente matéria-prima para o tradicional golpismo que flagelou este país durante todo o século XX. Não viveram a ditadura, não a viram funcionar. Não sabem do que a direita brasileira é capaz. Ouviram falar, leram, estudaram, mas não viram.

Quando o correspondente do periódico espanhol El País no Brasil, Juan Arias, provavelmente por encomenda da mídia tupiniquim e dos seus aliados políticos exortou os brasileiros a saírem às ruas “contra a corrupção” como vem acontecendo na Espanha e em vários outros países europeus, este blogueiro viu, ali, um sinal de alerta.

Por quê? Simples: o amplo espaço que a mídia brasileira deu àquele questionamento que o jornalista europeu fez, cobrando que a população brasileira (que vê seu país ir de vento em popa) agisse como os europeus (que vêem seus países mergulharem cada vez mais no caos econômico e social), já revelava que viria alguma coisa como o que de fato acabou vindo, com “os brasileiros” saindo às ruas “contra a corrupção”.

Mesmo quem não viu a ditadura militar em ação mas tem maior sensibilidade e clarividência certamente se lembra de que o comportamento da direita brasileira durante a crise do mensalão teve um viés claramente golpista. Isso quem diz não é o Eduardo Guimarães. O ex-presidente Lula disse e o cientista político Fábio Wanderley Reis, professor da UFMG, proferiu, certa vez, esta frase: “Se o cavalo do golpe passar selado, a direita monta”.

O tira-teima dessa questão está no comportamento da mídia durante a recente crise em Honduras, após o golpe de Estado que retirou o ex-presidente Manuel Zelaya da cama no meio da noite e o levou de pijamas ao aeroporto e o deportou. A mídia passou meses dizendo que era ele o golpista e que não teria havido golpe algum. Aí a prova do golpismo latente que povoa os devaneios de Frias, Mesquitas, Marinhos, Civitas e seus leões-de-chácara midiáticos.

Agora analisemos a conjuntura política. Após aquela conversa de Juan Arias sobre os brasileiros terem que ir à rua “contra a corrupção”, a mídia começa a bater na tecla, reproduzindo e comentando seu artigo sem parar e, do nada, surgem movimentos nessa direção. Movimentos insipientes, de início, mas que eram comemorados pela mídia a cada passo que davam.

A ampla publicidade que esses movimentos receberam da mídia, impressiona. Tudo ia ficando cada vez mais claro. Jornais, revistas, rádios, tevês, portais de internet e, sobretudo, os blogs que a direita midiática usa para fustigar o PT e Lula, incentivando adesão aos movimentos “contra corrupção”, dando informações sobre “como participar” etc.

Claro que o objetivo mais visível é o de jogar o governo Dilma contra os aliados, sobretudo contra o PMDB, de forma que este deixasse a base aliada, o que significaria a morte prematura desse governo. Mas, como disse o professor Fábio Wanderley Reis, ainda hoje, meio século após a eclosão da ditadura, se a oportunidade aparecer a direita abraça.

A juventude precisa entender que a direita midiática não quer democracia porque só quer no poder os partidos identificados com a sua ideologia e interesses. Por isso, há quase nove anos que a escandalização generalizada da política se tornou uma prática que só os cegos ou mal-intencionados não enxergam ou dizem não enxergar.

O governo Dilma vem contemporizando com essa direita, tirando-a, aos poucos, do estado de pé-de-guerra em que entrou durante a era Lula. Mas que Dilma não se engane: a direita midiática não se converteu aos cânones democráticos. Para acalmá-la, portanto, Dilma flerta com a rendição. Sem falar que, se a centro-esquerda perder o poder, sem regulação da mídia a direita não sairá do poder nunca mais estando o país fortalecido como está e com a mesma mídia apoiando.

Diante disso, quem tem idéia do que é a política no Brasil e na América Latina e não aceita esses estratagemas obscuros da direita midiática, não pode ficar parado vendo crescer um movimento moralista que, sob determinadas condições, pode se transformar no cavalo selado que a direita não hesitaria em montar se lhe passasse à porta.

Espanta-me que alguém não enxergue que um país em que chefes e clubes militares vivem exaltando a ditadura e fazendo ameaças jamais estará imune a novas aventuras golpistas. Jair Bolsonaro só pode fazer o que faz impunemente porque este país ainda é refém dos militares golpistas, muitos dos quais ainda não vestiram o pijama.

Aliás, esses que não acreditam no golpismo tupiniquim deveriam ir assistir jornalistas da grande mídia como Reinaldo Azevedo ou Merval Pereira se reunindo publicamente com militares golpistas defensores da ditadura quando todos eles, juntinhos, fazem ameaças veladas à democracia.

O ato público contra a corrupção da mídia golpista que o Movimento dos Sem Mídia programou para o dia 17 de setembro próximo, às 14 horas, no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), portanto, constitui um antídoto e um elemento de dissuasão aos delírios golpistas que povoam as mentes embotadas dessa direita que manteve este país de joelhos por duas décadas. E que pode ter recaída a qualquer momento.

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Para confirmar presença no Ato Público Contra a Corrupção da Mídia Golpista, clique aqui ou, se não tiver conta no Facebook, deixe neste blog, em forma de comentário, sua concordância com a iniciativa e, se for o caso, sua disposição em dela participar.

Roberto Carlos estava em Jerusalém, mas podia estar no Projac.

por Flavia Mello


Para o Crítico Mauricio Stycer, Jerusalém de Roberto carlos é uma cidade cenográfica

Do ponto de vista musical, “Roberto Carlos em Jerusalém” é um marco na carreira do Rei. Aos 70 anos, o cantor mostrou vitalidade, mudou o repertório que vinha repetindo há anos e arriscou-se em inglês, italiano e, até, em hebraico. Além disso, o carisma segue intacto, assim como a capacidade de emocionar gregos e troianos, e o vozeirão  espetacular.

O que não me convenceu no show foi a intenção de criar “tantas emoções” em Jerusalém. “Cantar é uma forma de oração”, disse Roberto Carlos logo no início do programa exibido pela Globo na noite de sábado.

Para um cristão fervoroso como ele, Jerusalém é uma cidade-símbolo, assim como é para judeus e muçulmanos. “Jerusalém da humanidade”, disse o Rei. Mas como transferir essa carga de símbolos para um espetáculo musical?
Os responsáveis por “Roberto Carlos em Jerusalém”, seu empresário, Dody Sirena, e o diretor Jayme Monjardim, da Globo, optaram por um formato asséptico, livre de polêmicas, que resultou absolutamente sem vida.

As visitas de Roberto Carlos ao Santo Sepulcro, ao Monte das Oliveiras e ao Muro das Lamentações, vistas pelo espectador, pareciam publicidade de agência de viagem. Sem som ambiente, sem contato com a gente do lugar, sem “emoções”, enfim, o périplo do cantor por Jerusalém deu a impressão de que estava numa cidade cenográfica.

Impressão, aliás, reforçada pelo cenário do palco onde ele se apresentou. Roberto Carlos estava em Jerusalém, mas podia estar no Projac. Não faria a menor diferença. O Rei cantou numa Jerusalém idealizada, sem conflitos, sem vida. Uma cidade dos sonhos – dele e de seus fãs.

por Mauricio Stycer - Uol

Há 40 anos morria Lamarca, o Che brasileiro e ex-companheiro de Dilma na guerrilha

Ex-companheiro de Dilma na guerrilha, ele foi atocaiado e morto na Bahia.
Ao 247, outro combatente, celso Lungaretti, revela o perfil do capitão que desertou do exército, para quem defende um status semelhante ao de Tiradentes.


por Claudio Julio Tognolli_247
 No próximo sábado completam-se 40 anos que o capitão do Exército Carlos Lamarca, nascido no Rio de Janeiro em 1937, foi atocaiado e morto no interior da Bahia. Lamarca desertou em 1969, e converteu-se num dos comandantes da Vanguarda Popular Revolucionária, VPR, grupo de guerrilha armada no qual também lutou a presidente Dilma Rousseff. Tido e havido como o Che Guevara brasileiro, Lamarca foi elevado ao status do maior inimigo do governo militar. Caçado pelas forças de segurança por todo o país, ele comandou diversos assaltos a bancos, montou um foco guerrilheiro na região do Vale do Ribeira, no sul do estado de São Paulo. Liderou o grupo que seqüestrou o embaixador suíço Giovanni Bucher, no Rio de Janeiro, em 1970, em troca da libertação de 70 presos políticos.
Perseguido por mais de dois anos pelos militares, foi localizado e morto no interior da Bahia 17 de setembro de 1971. Trinta e seis anos após sua morte, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, sob o ministro Tarso Genro, dedicou sua sessão inaugural a promovê-lo a coronel do Exército. Lamarca teve reconhecida a condição de perseguidos políticos de sua viúva e filhos.
Ninguém melhor para falar do mito Lamarca do que o escritor e jornalista paulistano Celso Lungaretti. Nascido em 1950, autor do livro "Náufrago da Utopia" (Geração Editorial, 2005), Lungaretti lutou com Lamarca na Vanguarda Popular Revolucionária.
Falsamente acusado de delator da área de treinamento da VPR em Registro/SP, conseguiu restabelecer a verdade dos fatos no final de 2004, a partir de um relatório secreto militar que veio a público e da intervenção em seu favor do historiador Jacob Gorender, que o inocentou dessa acusação em carta publicada na Folha de S. Paulo. “Ele era um revolucionário sincero, extremamente dedicado à causa e disposto a todos os sacrifícios. A cultura militar também era muito forte nele, de uma forma peculiar: identificava-se com os subalternos, não com os outros oficiais. Tinha uma relação de zelo e carinho para com os comandados, ao passo que sempre se referia com desdém aos graduados”, relata Lungaretti ao Brasil 247.
“Lembro-me de que, na área de treinamento de Registro, ele até se emocionava ao conversar conosco sobre a rotina simples da caserna, como a brincadeira que a soldadesca fazia quando eram tocados certos temas nas paradas. Segundo ele, pelos cantos da boca, cantavam: "A mãe do tenente/ morde o pau da gente". E, ao rufar dos tambores, "bunda! bunda!"...Lamarca chegou à VPR com um conhecimento muito superficial das teses marxistas e correu atrás do tempo perdido, devorando livros nos longos períodos de inatividade em "aparelhos". Mas, sempre coisas muito objetivas, diretas, operacionais. Não lhe interessavam temas teóricos como os desvios do stalinismo e a importância da verdade como fator revolucionário.” Prossegue Lungaretti: “Daí certas "versões convenientes" que deu, nos momentos em que julgou atenderem melhor aos interesses superiores da revolução. Hoje percebo que ele não fazia por mal. Apenas, acreditou que isto fosse necessário para combater com alguma chance de êxito um inimigo totalmente sem escrúpulos”.
Lamarca era um matador? Lungaretti repele a tese. “Nem de longe era um sanguinário. Desde o primeiro momento percebi que ele mataria pela causa, se considerasse imprescindível, mas não por prazer ou por vingança. A clandestinidade lhe pesava, como a todos nós, mas não ao ponto do desequilíbrio. Sua maior contribuição às concepções guerrilheiras foi o conceito de coluna móvel estratégica. Ou seja, a coluna guerrilheira não teria o papel de crescer até se transformar num exército revolucionário, pois a repressão a aniquilaria antes disso e os moradores da região sofreriam terríveis retaliações”.
Segundo Lungaretti, a ideia de Lamarca era que a coluna guerrilheira “enterrasse previamente munição e mantimentos por uma extensa área, que deveria ser bem mapeada pelos guerrilheiros antes de entrarem em ação. Aí, assestariam golpes nos inimigos, escapando graças à sua mobilidade e conhecimento do terreno. Então, seu papel seria de símbolo vivo da possibilidade de se derrotar as Forças Armadas. Utilizando tal símbolo, a propaganda revolucionária, nas cidades e nos campos, iria estimulando a união de todas as forças contrárias à ditadura, até sua derrubada. Ou seja, o exército revolucionário se formaria a partir do exemplo dado pela coluna, mas não em torno da coluna.
É uma concepção que ninguém tinha enunciado até então. Lamarca a lançou”.
Leia, abaixo, outras percepções de Lungaretti sobre o Lamarca que ele conheceu
O Legado de Lamarca:
“O mesmo de Tiradentes: sua visão de que deveria dedicar a vida e arriscar-se à morte para concretizar seus ideais. Mesmo que travando uma luta tão desigual, com chances ínfimas de êxito no começo e nenhuma no final. Na boca dele também caberia o "dez vidas eu tivesse, dez vidas eu daria" do inconfidente”.
Pelo que Lamarca lutaria hoje:
“É uma incógnita. Com certeza, defendendo sempre o povão, os trabalhadores e os excluídos. Era com eles que se identificava -- tinha muito orgulho de ser filho de sapateiro, não de abastados, e mesmo assim haver chegado aonde chegou na carreira militar. Ficávamos sensibilizados ouvindo-o falar da pena que sentia da gente comum oprimida pelos israelenses, quando integrou a missão da ONU em Suez. E não necessariamente por meio da luta armada, pois ele estava bem consciente das dificuldades inerentes, mesmo quando se combate uma ditadura. E detestava perdas inúteis.
Então, o mais provável é que hoje atuasse dentro dos limites de uma democracia. Mas, claro, é só minha avaliação pessoal”.
Mortes:
“Destacando poucos episódios da sua vida, evitei falar sobre o pior deles, a decisão de matarem o ten. Alberto Mendes Jr. -- até compreensível para quem priorizava a salvação dos seus comandados, mas politicamente desastrosa. Seria melhor terem corrido o risco de deixá-lo vivo. Já o atentado ao QG do II Exército no qual morreu o recruta Kotzel, na minha avaliação, nada teve a ver com o Lamarca. Levando em conta datas e outros detalhes, concluí que seu envolvimento (como autor da sugestão) foi apenas boato”.
Imprensa:
“Quando falo na dificuldade de se travar uma luta com tamanha desigualdade de forças e em circunstâncias tão dramáticas, na verdade estou expondo o motivo que me levou a ser mais condescendente com ele. Quando a imprensa caiu matando sobre sua memória naquele episódio da anistia e promoção a coronel, segui meu impulso de a defender. Foi mais instinto do que decisão pensada. E, desde então, tenho procurado equilibrar os pratos da balança, transcendendo as mágoas pessoais”
Morte de Lamarca:
“Neste sábado (17) se completarão 40 anos da morte do comandante Carlos Lamarca, que estava debilitado e indefeso quando foi covardemente executado pela repressão ditatorial no sertão baiano, em 17 de setembro de 1971, numa típica vendetta de gangstêres. O que há, ainda, para se dizer sobre Lamarca, o personagem brasileiro mais próximo de Che Guevara, por história de vida e pela forma como encontrou a morte? Foi, acima de tudo, um homem que não se conformou com as injustiças do seu tempo e considerou ter o dever pessoal de lutar contra elas, arriscando tudo e pagando um preço altíssimo pela opção que fez. Teve enormes acertos e também cometeu graves erros, praticamente inevitáveis numa luta travada com tamanha desigualdade de forças e em circunstâncias tão dramáticas”.
Melhores momentos:
“Mas, nunca impôs a ninguém sacrifícios que ele mesmo não fizesse. Chegava a ser comovente seu zelo com os companheiros -- via-se como responsável pelo destino de cada um dos quadros da Organização e, quando ocorria uma baixa, deixava transparecer pesar comparável ao de quem acaba de perder um ente querido. Dos seus melhores momentos, dois me sensibilizaram particularmente. Logo depois do Congresso de Mongaguá (abril/1969), quando a VPR saía de uma temporada de luta interna e de quedas em cascata, o caixa estava a zero e a rede de militantes, clandestinos em sua maioria, carecia desesperadamente de dinheiro para manter as respectivas fachadas -- qualquer anomalia, mesmo um atraso no pagamento de aluguel, poderia atrair atenções indesejáveis. Mas, o chamado grupo tático fora o setor mais duramente golpeado pelas investidas repressivas. Então, quando se planejou a expropriação simultânea de dois bancos vizinhos, na zona Leste paulistana, o pessoal experiente que sobrara não bastava para levá-la a cabo. Eu e os sete companheiros secundaristas que acabáramos de ingressar na Organização fomos todos escalados -- na enésima hora, entretanto, chegou a decisão do Comando, que me designou para criar e coordenar um setor de Inteligência, então fiquei de fora. Lamarca, procuradíssimo pelos órgãos repressivos, fez questão de estar lá para proteger os recrutas no seu batismo de fogo. Os outros quatro comandantes tudo fizeram para demovê-lo, em nome da sua importância para a revolução. Em vão. A lealdade para com a tropa nele falava mais alto. Depois de muita discussão, chegou-se a uma solução de compromisso: ele não entraria nas agências, mas ficaria observando à distância, pronto para intervir caso houvesse necessidade. Houve: um guarda de trânsito, alertado por transeunte, postou-se na porta de um dos bancos, arma na mão, pronto para atingir o primeiro que saísse.
Lamarca, que tomava café num bar a 40 metros de distância, só teve tempo de apanhar seu .38 cano longo de competição, mirar e desferir um tiro dificílimo -- tão prodigioso que, no mesmo dia, a ditadura já percebeu quem fora o autor. Só um atirador de elite seria capaz de acertar.
Segundo o Darcy Rodrigues, foi a vida dele que Lamarca salvou. O próprio, contudo, contou-nos que seria um dos novatos o primeiro alvejado.
Como resultado, a repressão teve pretexto para fazer de Lamarca o inimigo público nº 1 -- e, claro, o fez. A imagem dele foi difundida à exaustão, obrigando-o a redobrar cuidados e até a submeter-se a uma cirurgia plástica.
Também teve de brigar muito com os demais dirigentes e militantes, para salvar a vida do embaixador suíço Giovanni Butcher, quando a ditadura se recusou a libertar alguns dos prisioneiros pedidos em troca dele e ainda anunciou que o Eduardo Leite (Bacuri) morrera ao tentar fugir.
Dá para qualquer um imaginar a indignação resultante -- afinal, as (dantescas) circunstâncias reais da morte do Bacuri ficaram conhecidas na Organização.
Mesmo assim Lamarca não arredou pé, usando até o limite sua autoridade para evitar que a VPR desse aos inimigos o monumental trunfo que as Brigadas Vermelhas mais tarde dariam, ao executarem Aldo Moro. O episódio foi tão traumático que ele acabou deixando a VPR.
E, no MR-8, novamente divergiu da maioria dos companheiros -- quanto à sua salvação.
Pressionaram-no muito para que saísse do Brasil, preservando-se para etapas posteriores da luta, pois em 1971 nada mais havia a se fazer. Aquilo virara um matadouro.
Conhecendo-o como conheci, tenho a certeza absoluta de que não perseverou por acreditar numa reviravolta milagrosa. Em termos militares, suas análises eram as mais realistas e acuradas. Nunca iludia a si próprio.
O motivo certamente foi a incapacidade de conciliar a idéia de fuga com todos os horrores já ocorridos, a morte e os terríveis sofrimentos infligidos a tantos seres humanos idealistas e valorosos. Fez questão de compartilhar até o fim o destino dos companheiros, honrando a promessa, tantas vezes repetida, de vencer ou morrer.
Doeu -- e como! -- vermos os militares exibindo seu cadáver como troféu, da forma mais selvagem e repulsiva.
Mas, ele havia conquistado plenamente o direito de desconsiderar fatores políticos e decidir apenas como homem se preferia viver ou morrer.
Merece, como poucos, nosso respeito e admiração.

O governo Dilma "envelheceu" e o Lula foi uma "fraude"

Por Franco Ahmad

Em entrevista ao Jornalista Eder Fonseca do  Panorama Mercantil o presidente do PPS Roberto Freire diz que o Governo Dilma “Envelheceu” e o ex-presidente  Lula foi uma “fraude”.
 Estas declarações  do deputado Roberto Freire chegou ao  ridículo. Aparecer neste instante dando de honesto é no mínimo a constatação de que o mal que o aflige está em grau elevado.
 Depois  da eleiçao do ex-presidente Lula em 2002,  nunca mais mudou o disco.
 O que dizer de homem que levou seu partido a viver às sombras do PSDB  e  agora ensaia um namorico com os “marineiros” para sobreviver e não desaparecer da política nacional?
  A dor se transformou em muitas mágoas.
Leia a entrevista
Socialista, humanista e libertário em suas próprias palavras, ao longo de seus já quase 28 anos de carreira pública ininterrupta, Roberto Freire se transformou em um dos símbolos, juntamente com tantos outros brasileiros, na luta pelo fim da ditadura e pela retomada da democracia. E nessa caminhada, sempre defendeu amplas alianças, criticava posturas de esquerdas excludentes, acreditava que a construção de um novo Brasil, obrigatoriamente, passa pelo exercício pleno da cidadania e a consolidação e ampliação da democracia. Freire sempre preconizou, nesta perspectiva, também a adoção de práticas de democracia direta – o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular de lei, princípios consignados na Constituição, tiveram a sua participação emocionada e eficaz.Liderou, com Teotônio Vilela e outros, a campanha da Anistia. Visitou presídios, participou de debates e comícios e negociou diretamente a elaboração de leis que pudessem tirar das masmorras permitindo a volta ao país de centenas de brasileiros perseguidos ou desterrados pelo arbítrio. É por exemplo o principal articulador da obra 'Anistia', que registrou em definitivo para a história a luta pela reconciliação entre os brasileiros.Como um militante na ilegalidade do PCB e como o líder da grande frente emedebista, Freire esteve ao lado dos grandes movimentos democráticos vitoriosos do nosso povo no último quartel do século XX. Deu apoio e participou do processo de reconstrução das entidades estudantis livres e da UNE, esteve em todos os congressos que discutiram a criação de uma central de trabalhadores, também freqüentou intensamente os movimentos grevistas e sindicais dos trabalhadores, em Pernambuco, no ABC em São Paulo e em quase todos os estados brasileiros.Freire colocou-se em oposição ao Governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva,e faz o mesmo com atual Governo,comandado por Dilma Rousseff. Afirmou certa vez que os atuais detentores do poder no Brasil não possuem um projeto de governo, e que dificilmente essa meta vai ser alcançada durante o exercício do poder. Por vários meses, denunciou a aliança de Lula com as velhas idéias econômicas e com os velhos grupos políticos no Congresso, e sugeriu ao governo correções de rumos.Após 4 anos afastado das atividades parlamentares, Roberto Freire foi eleito em 2010 deputado federal por São Paulo com mais de 120 mil votos.Na entrevista a seguir,o parlamentar pernambucano diz que o socialismo real falhou e aponta quais os motivos reais da reforma política não sair do papel.
Panorama Mercantil - O socialismo real falhou?
Roberto Freire - Sim. Tanto é verdade que o sistema entrou em colapso. E a causa fundamental desse colapso foi a falta de liberdade, ou, para ser mais preciso, de democracia. Entretanto, não podemos negar sua importância histórica. A revolução de 1917 na Rússia dos czares, contribuiu para mudar o mundo, ao estabelecer um outro pólo de poder que se rivalizou, em nível de igualdade, com o capitalismo. Foi um fator importantíssimo para avançar e consolidar conquistas dos trabalhadores no mundo,derrotar o nazfascismo na 2º guerra, bem como na luta pela descolonização a que estavam submetidos países de África e Ásia. Sem falar do impacto cultural que propiciou por conta dos vários movimentos artísticos e críticos,frutos de intelectuais de esquerda, em todas as latitudes e nas suas mais variadas cores.
Panorama - Por que a reforma política não saiu do papel?
Freire - Porque vai de encontro a inúmeros interesses estabelecidos. Seja de alguns partidos, seja de alguns políticos muito influentes no Congresso e principalmente dos executivos que se beneficiam da fraqueza dos partidos políticos. Até agora, os setores mais atrasados da sociedade também no Executivo e no Congresso Nacional impediram mudanças no atual sistema político-partidário. Mas a reforma está tramitando na Câmara dos Deputados e no Senado. Já estão prontas para votação no plenário do Senado, três PECs (Propostas de Emendas Constitucionais), mesmo que saibamos que não há garantia de que elas sejam votadas ainda neste ano.Na Câmara, uma comissão especial para tratar do assunto está finalizando seu trabalho. O relatório para apreciação em plenário já está pronto, mas ainda há prazo para emendas. As principais mudanças apontadas até agora são: a instituição do financiamento público de campanhas e do voto pelo sistema proporcional misto, no qual o eleitor vota duas vezes, uma no candidato e outra em uma lista pré-ordenada pelo partido.
Panorama - O senhor é favorável ao financiamento público de campanhas?
Freire - Sim, mas não exclusivo. Somos terminantemente contrários à contribuição de pessoas jurídicas. Defendemos que seja permitida apenas contribuição de pessoas físicas, até o limite de R$ 2 mil por por CPF em cada pleito. Afinal, as eleições dizem respeito à cidadania, ou seja, a pessoas físicas, e não a empresas.
Panorama - A polarização PT/PSDB no governo federal não é prejudicial a longo prazo ao país?
Freire - Não. A polarização política é da natureza dos processos democráticos. Veja-se que este é um fenômeno que ocorre nas democracias,nos pleitos eleitorais.O que não pode é haver um pólo só!
Panorama - Hoje, político virou sinônimo de ladrão. Como mudar essa imagem perante a sociedade?
Freire - Existem políticos desonestos como existe desonestidade em todas as atividades. Na política isso se torna mais evidente por ser atividade pública e com maior transparência e é mais grave porque nela se lida não apenas com recursos públicos, mas com projetos de sociedade, que mobilizam milhares de pessoas. No entanto, nunca tergiversamos com ilícitos. Sempre defendemos investigações e punições quando ocorrem denúncias de casos de corrupção. Mas devemos ter presente que também a responsabilidade da cidadania se impõe. Cabe a cada eleitor refletir bem nas suas escolhas. Pensar e pesquisar sobre os candidatos antes de votar, pois é o voto que define o perfil do governo – presidência e ministérios, além das demais instituições – e também de seus representantes nas Casas Legislativas.
Panorama - Qual a análise que o senhor faz dos primeiros seis meses do governo Dilma Rousseff?
Freire - É um governo que envelheceu precocemente. Em um semestre, quatro ministros caíram; três deles por denúncias graves de corrupção e um quarto por incontinêcia verbal. Na economia, dá continuidade ao que seu antecessor vinha fazendo, ou seja, beneficiar fundamentalmente o setor financeiro, o grande capital como nunca antes se viu neste país. Por outro lado, inacreditavelmente, não deu aumento real ao salário mínimo, interrompendo uma prática que tinha 16 anos, desde o governo Fernando Henrique Cardoso, passando pelo governo Lula. Vetou o reajuste das aposentadorias e pensões acima de cinco salários mínimos. Péssimo sinal de que o ajuste a ser feito para enfrentar a crise econômica que se avizinha-e não é marolinha-vai penalizar trabalhadores e continuar subalterno aos interesses da banca nacional e internacional.E no entanto, decidiu colocar mais R$ 10 bilhões para pagar juros da dívida pública, e o corte de despesas não são aonde deveria se dar,por exemplo, na diminuição dos 39 ministérios,redução dos desmesurados cargos em comissão que servem para aparelhamento do Estado e gastar menos com propaganda,além de outros cortes nos desperdícios que são muitos. Melhorar os serviços públicos como por exemplo na saúde que seria bom não ocorre, vide, a não aprovação da emenda 29( que regulamenta os gastos dos três níveis de governo com o setor da saúde) que como candidata havia se comprometido a aprovar e não o faz.
Panorama - O ex-presidente Lula foi uma farsa?
Freire - Foi uma fraude. Acreditava-se que ele era um homem de esquerda e que faria um governo diferente daqueles pelos quais o país já havia passado. Ao não enfrentar as necessárias reformas democráticas do Estado, nem enfrentar os gravíssimos problemas de nossa infraestrutura humana e física, conservou o atraso do país, em relação aos seus concorrentes fundamentais na economia mundial, Rússia, China e Índia. Ele deu continuidade ao receituário neoliberal e optou por programas de cunho eminentemente conservador, como o Bolsa Família,que se melhora o presente e nada aponta para o futuro, e no qual o antigo coronel foi substituído pelo Estado.
Panorama - Pela sua experiência, nunca teremos um projeto de governo de Brasil?
Freire - Creio que teremos, sim. Podemos mudar o que não está bom com nossa mobilização,com maior participação e com o nosso voto, como já fizemos antes. Nosso país já viveu situações muito difíceis na sua história tal como recentemente com a ditadura militar de 64, e encontrou seu caminho. Encontrará novamente. O fundamental é ampliarmos e aprofundarmos o processo democrático, para que a cidadania exerça seu papel, e defina em que sociedade quer viver.
Panorama - A corrupção na vida pública é algo sem solução a médio prazo?
Freire - Não. Acredito no combate à corrupção e trabalho para isso na Câmara. Temos instituições sólidas e atuantes, como o Ministério Público, a Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal a que podemos recorrer. É o que o PPS faz em cada caso de corrupção denunciado pela imprensa: busca os órgãos competentes e usa os instrumentos jurídicos pertinentes para investigar os ilícitos. Cabe à sociedade cumprir o seu e não votar em quem tenha "ficha-suja", ou que seja mais conhecido por seu prontuário ou folha corrida que pelo seu currículo democrático e por sua ação republicana.
Panorama - 513 deputados não afeta a qualidade da Câmara, fazendo aparecer bobagens como, por exemplo, “O Dia do Orgulho Heterossexual”?
Freire - O problema não é de quantidade, mas de qualidade dos deputados que foram votados.
Panorama - Já temos atualmente, 27 partidos no Brasil e, futuramente, podem ser 30. Não é demais?
Freire - Não.Os partidos políticos são uma expressão da cidadania e não decisão tutelada pelo Estado.Não há um número cabalístico que indique qual o limite para que se possa limitá-los ou restringí-los. Quem fez isso foi a ditadura, que decidiu que só poderiam existir dois partidos, a Arena e o MDB, em boa hora limitação superada pela redemocratização do país em 1985.
Panorama - Como o senhor definiria o PPS no intrincado jogo da política nacional?
Freire - O PPS é um partido da esquerda democrática,que tem no poder local e na radicalidade democrática seus pontos fundamentais. Para nós, a liberdade é uma necessidade imposta pelas condições de desenvolvimento hoje. Assim como a equidade, a distribuição justa da riqueza socialmente produzida. O partido defende a transparência nos atos governamentais, a melhoria da representação política e o saneamento dos desequilíbrios enormes entre os poderes da República e os níveis da Federação, dentre muitos outros compromissos com o país. O PPS é um partido das reformas de que o Brasil tanto necessita para construir a sociedade mais justa e igualitária.
Panorama - Ser presidente da República ainda faz parte de seus sonhos?
Freire - Não podemos tratar esse sonho como algo de um indivíduo. Tem que ser minimamente de uma coletividade política, tal como ocorreu comigo e o PCB em 1989.
Por Eder Fonseca – Panorama Mercantil

PSD nasce com vocação governista

Por Rodrigo Cavalcante

Partido de Kassab será aliado de 18 dos 27 governadores estaduais e também sinaliza apoio a Dilma

Além de partido “colaborador, mas independente” em relação à presidente Dilma Rousseff, o PSD nasce aliado de 18 dos 27 governadores e, na maior parte dos casos, ainda tende a segui-los nas eleições das capitais. O arco de alianças não tem preconceitos: vai do PT ao DEM, passando por PSB, PSDB e PMDB. A legenda criada pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab será “independente” em cinco Estados, inclusive São Paulo, e no Distrito Federal. Estará na oposição em apenas três.
Com dois governadores - Raimundo Colombo, de Santa Catarina, e Omar Aziz, do Amazonas -, cinco vice-governadores, 49 deputados federais e dois senadores, o novo partido não vê motivos para vetos na escolha dos parceiros. “Não tivemos dificuldades de nos aliar às pessoas que facilitaram nossa formação. E não saímos por aí arrumando inimigos”, diz o futuro secretário-geral do PSD Saulo Queiroz, ex-tesoureiro do DEM.
Entre os 18 governadores aliados, há um grupo de parceiros - patronos, até - que tiveram participação direta na estruturação do PSD nos Estados. Cederam aliados e, em contrapartida, fortaleceram suas bases.
Estão nesse grupo a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB); o tucano Simão Jatene, do Pará; os petistas Jaques Wagner, da Bahia, e Marcelo Déda, de Sergipe; e o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
Outro socialista, o cearense Cid Gomes, também apoiou a formação do PSD, coordenado no Estado por um de seus principais auxiliares, o gestor de gabinete do governo, Almircy Pinto.
Nas eleições de 2012 em Fortaleza, o PSD vai seguir a orientação de Cid Gomes. O mais provável é que o governador cearense mantenha o apoio ao PT da prefeita Luizianne Lins. Outra opção, se forem agravadas as divergências internas dos petistas, seria o lançamento de um candidato do PSB.
A situação se repete na sucessão de Recife. Eduardo Campos deverá manter a aliança com o PT, mas ainda há muita dúvida sobre a candidatura à reeleição do prefeito petista João da Costa. De qualquer maneira, o PSD será fiel à orientação do governador pernambucano.
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